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O mercado financeiro quer que você literalmente morra antes de se aposentar, só isso! (por Frederico Ileck)

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno, o noticiário econômico brasileiro amanheceu com uma palavra rara na editoria de finanças: EUFORIA. O Valor Econômico descreveu um pregão de comemoração depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, e o G1 explicou que os investidores passaram a considerar mais provável uma troca de governo e uma mudança na condução das receitas e despesas públicas. Não era o resultado de uma empresa, nem uma descoberta de petróleo, nem um milagre agrícola. Nada disso. Era o resultado de uma eleição — ou, mais precisamente, era o mercado recebendo bem, em nome do país, aquilo que o país ainda nem decidiu. Como assim? 

No domingo de 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 47,03% a 45,16% dos votos válidos — 56.104.503 votos contra 53.879.538, uma diferença de 2,2 milhões, a menor da história entre primeiro e segundo colocados num primeiro turno. A apuração foi encerrada às 2h58 da segunda-feira, conforme noticiou o Extra.[*2] A vantagem contrariou a maioria das pesquisas pré-eleitorais, segundo o G1, e o segundo turno, marcado para 25 de outubro, virou o prazo final do leilão. Junto com o candidato veio um Congresso de presente: o PL elegeu 121 deputados — recorde de uma sigla desde a Constituição de 1988 — e terá 28 senadores, conforme o DW.[*3] Flávio liderou em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mais o Distrito Federal; Lula venceu nos nove estados do Nordeste e em três do Norte. E um detalhe que diz muito: a abstenção foi de 21%, o maior patamar desde 1998, ainda segundo o DW.
O que o mercado recebeu bem, com a naturalidade de quem comemora dividendos, foi a perspectiva do ajuste. A equipe econômica da campanha, coordenada pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques e pelo ex-ministro Adolfo Sachsida, com reforços vindos das secretarias do Ministério da Economia e do próprio mercado financeiro, segundo a Veja [*4] — estuda, segundo reportagens da Folha de S. Paulo e do NC News, um pacote de corte de gastos de até 2% do PIB, cerca de R$ 250 bilhões, a ser apresentado ao Congresso como uma "Super PEC da Transição" logo após o segundo turno, votada na janela entre a eleição e a posse.[*5] Os analistas ouvidos pelo O Globo não escondem a preferência pela pauta: a economista-chefe da Kat Investimentos, Elisa Machado, disse que o ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de mudança na trajetória fiscal; o ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Jubarte Capital, afirmou que a liderança de Flávio aumenta a chance de algum ajuste fiscal; e Silvio Campos Neto, da Tendências, avaliou que a possível equipe econômica do candidato teria "um diagnóstico correto" da situação fiscal. Não se trata, portanto, de um apoio eleitoral declarado do mercado como bloco — são avaliações identificadas de gestores e economistas, muitas com ressalvas, que recebem bem a perspectiva de corte de gastos. Traduzindo do idioma dos gestores para o português de 200 milhões de falantes: parte do mercado comprou a chance de alguém cortar gastos que sustentam gente demais.

Em si se chegou até aqui banqueiros e economistas querem que o povo se exploda! Concorda? Há algo similar acontecendo na Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Equador. Seria esse o novo Mercosul ou a porta de entrada para o purgatório? 
A conta vai chegar. E quem paga vai ser você. Pela sua aposentadoria. Claro se você não morrer antes! Mesmo assim o mercado vai amar isso

E aqui começa a parte em que o leitor que ganha até um salário mínimo talvez queira se sentar. Pega um café aí  e leia com atenção meu caro!

O pacote em estudo mira exatamente as rubricas mais gordas do Orçamento: as despesas obrigatórias. Segundo as reportagens da Folha de S. Paulo e do Brasil de Fato, saúde e educação teriam seus pisos constitucionais — 15% da receita corrente líquida para o SUS, 18% da receita líquida de impostos para a educação — simplesmente extintos, com o orçamento corrigido apenas pela inflação.[*7] É um modelo já testado no Brasil: o teto de gastos congelou o piso federal da saúde em 2017 e, até 2020, o SUS perdeu mais de R$ 64 bilhões, apontou o Ipea — R$ 573 per capita em 2020, o menor valor da série, conforme o Brasil de Fato.[*8] Quem estudou em escola pública ou foi atendido no pronto-socorro às 3 da manhã talvez considere que "obrigatória" era a melhor parte da palavra.

Mas o prato principal é a Previdência. O desenho reportado prevê desindexar as aposentadorias e o BPC do salário mínimo: o mínimo dos que trabalham pode subir acima da inflação, mas quem já está aposentado — ou quem recebe um salário mínimo por mês por ser idoso ou pessoa com deficiência em situação de miséria — ficaria preso ao INPC. A Folha noticiou em abril que a economia estimada pela própria equipe de Flávio, nesse desenho, seria de R$ 1,1 trilhão em dez anos, conforme reproduz o Outras Palavras.[*9] A conta é simples porque o público é enorme: o INSS paga mais de 41 milhões de benefícios, e cerca de 29 milhões deles equivalem a exatamente um salário mínimo, segundo o Brasil de Fato.[*10] O pacote estudado também prevê rever a política de valorização do mínimo em si — aquele mecanismo que, desde os anos 2000, tem puxado a desigualdade para baixo.

O plano de governo registrado no TSE, é verdade, não tem uma linha sobre reforma da Previdência. Tem "INSS sem fila" e "pacote antifraude", conforme o Outras Palavras.[*11] Mas o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, já avisou à Folha em março: "O modelo está estourando. Só posso dizer que vamos ter de revisitar a Previdência" — incluindo "parâmetros ou até uma mudança de modelo". Na análise do Outras Palavras, esse aceno remete à capitalização — a aposentadoria transformada em poupança individual, administrada por bancos que cobram taxas, sem solidariedade entre gerações, o modelo chileno que o próprio Chile passou décadas tentando consertar. A versão original da reforma enviada em 2019 pelo governo do pai previa BPC de R$ 400 aos 60 anos (um salário mínimo só aos 70) e aposentadoria rural aos 60 anos com 20 anos de contribuição; o Congresso retirou essas medidas do texto antes da votação, e Flávio votou a favor da reforma como aprovada — em 1º e 22 de outubro de 2019, conforme o Outras Palavras.[*12] Isso não equivale a uma proposta atual da campanha; equivale a um histórico.
Diante das reportagens de outubro sobre o pacote, o candidato reagiu: garantiu que o reajuste das aposentadorias será acima da inflação e negou qualquer desindexação do BPC, segundo o Valor.[*13] A assessoria da campanha acrescentou que conversas informais e interpretações de terceiros "não deveriam ser tratadas como posição oficial da candidatura", e observou que tais propostas não constam do plano de governo, conforme o Brasil de Fato.[*14] Deixa-se registrado o cenário, portanto: um ajuste fiscal descrito em reportagens como estudado pela equipe, negado em público pelo candidato, e planejado para ser votado num intervalo de poucas semanas entre a eleição e a posse — quando o eleitor já terá assinado o contrato e já não poderá ler as letras miúdas. A campanha nega que seja essa a intenção; cabe ao eleitor decidir qual versão crer — a da sabatina ou a das fontes das reportagens.


A República Sindical, decapitada

O capítulo trabalhista do plano de governo tem um título que dispensa comentário: "O trabalhador em primeiro lugar, não o sindicato". Nele, o país é convocado "a se posicionar contra a República Sindical, em que os interesses de dirigentes das entidades se sobrepõem ao interesse dos trabalhadores", conforme reproduz o Outras Palavras.[*15] O programa ataca a unicidade sindical — aquele artigo 8º da Constituição que organiza os sindicatos por categoria —, critica a presença de sindicalistas em políticas públicas ("mesmo não tendo sido eleitos para tanto") e propõe que acordos entre trabalhador e empresa possam prevalecer sobre determinadas regras gerais da CLT, segundo o Outras Palavras e o R7.[*16] No capítulo do INSS, o mote se repete: "Sai a gestão voltada a entidades sindicais, entra a gestão profissional".

Na avaliação dos analistas do Outras Palavras e da CSB, esse pacote significa o fim da negociação coletiva como instância de proteção: um trabalhador sozinho, negociando seu contrato individualmente com um banco ou um aplicativo de entrega, com o mesmo poder de barganha de quem pede aumento para um algoritmo — eis a visão de futuro.[*17] Para quem tiver dúvida do que significa "flexibilização de jornadas", o candidato deu amostras em agosto: chamou de "eleitoreira" a proposta defendida pelo governo de acabar com a escala 6x1, a jornada com um único dia de folga, e defendeu a "liberdade do trabalhador escolher a escala de trabalho" — liberdade no sentido em que se é livre para aceitar, segundo o Valor.[*18] A Folha noticiou em outubro, porém, que a candidatura encampou uma alternativa do senador Rogério Marinho (PEC 12) que também pretende acabar com a escala 6x1 — por um caminho diferente do projeto apoiado por Lula, alterando o artigo 7º da Constituição.[*19]

Os de cima e os de fora

No lado da receita, a agenda é mais lírica: devolver o IOF aos patamares de 2022, eliminar o imposto sobre exportação de petróleo, reverter os tributos criados pelo ministro Fernando Haddad, segundo Veja.
[*20] Somando-se ao cardápio — reorganização das estatais antes de decidir sobre privatizações, redução de "privilégios" —, o desenho final é clássico: corta-se o gasto que chega ao aposentado e ao SUS, corta-se o imposto que incide sobre aplicações financeiras e sobre o petróleo exportado. As doações da campanha lideram a arrecadação: até 17 de setembro, Flávio declarava R$ 48,4 milhões, 17% a mais que Lula, segundo a Folha; até 24 de setembro, com R$ 56,9 milhões no total, a maior parte vinha de repasses do próprio PL, e as doações diretas de pessoas físicas destacavam empresários e produtores rurais, como a família Verdi, do grupo Rodobens, com R$ 300 mil, segundo o NC News e o G1.[^21] Um contraponto honesto, para constar: os mega-doadores de Jair em 2022 — os que davam mais de R$ 1 milhão — não repetiram o aporte ao filho. Um deles, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, está preso e negocia delação premiada, segundo a Folha e a BBC.[*22]

A sombra carioca

Há ainda um capítulo que a bolsa não precifica, porque nenhuma curva de juros calcula o custo de uma milícia. As suspeitas que rondam Flávio vêm do Rio de Janeiro, de seus 16 anos de Alerj: a denúncia apresentada pelo Ministério Público em 2020 pelo suposto esquema da "rachadinha" — no relato da acusação, parte do salário de assessores fantasmas voltaria ao gabinete, com R$ 6,1 milhões citados e depósitos em dinheiro feitos por Fabrício Queiroz coincidindo com parcelas de imóveis ligados à família do senador, segundo a BBC[*23] —; e as homenagens a Adriano da Nóbrega, relatadas pela BBC: Flávio o teria homenageado duas vezes na Alerj, anos antes de o policial ser acusado de chefiar o Escritório do Crime, o braço assassino de milicianos cariocas. A mãe e a então esposa de Nóbrega trabalharam no gabinete de Flávio, dele saindo em 2018, quando o caso veio à tona.[*24] Flávio nega todas as acusações, chama as denúncias de perseguição política e resume: "Eu não defendo milícia. Nunca defendi que haja um poder paralelo para extorquir trabalhador em comunidades carentes", conforme a BBC.[*25] Marcelo Freixo disse à BBC que Flávio e Chiquinho Brazão — depois condenado pela morte de Marielle Franco — foram os únicos deputados que votaram contra a criação da CPI das Milícias na Alerj, em 2008; o voto contrário de Flávio também é registrado pelo Metrópoles.[*26]
O próprio presidente Lula colocou o tema no centro da campanha: disse que Flávio "não tem biografia" e que foi eleito, ainda jovem, com apoio do crime organizado e da milícia do Rio de Janeiro, segundo a CBN.[*27] O presidente do PT, Edinho Silva, prometeu buscar apoio de outros partidos no segundo turno para evitar que o Brasil seja governado por um "representante das milícias do Rio de Janeiro", conforme o Poder360.[*28] Flávio respondeu que "Lula está gagá" e nega elo com milicianos, segundo o GP1.[*29] Enquanto isso, o TSE tenta se valer de precedentes da corte para conter a infiltração de facções e milícias nas eleições, conforme a série da Folha — o problema, portanto, é reconhecido institucionalmente, e não apenas palanqueiro.[*30] São acusações, não sentenças. A reportagem do G1 de 2020 registrou que a denúncia do MP apontava Adriano da Nóbrega como parte do esquema da rachadinha — e o candidato à Presidência nega cada um desses vínculos.

O pai na sala de casa

E há o capítulo que explica o resto: o pai. Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado — a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente é condenado por atentar contra a democracia, conforme o G1.[*31] Cumpriu cerca de 1,2% da pena atrás das grades antes de obter, em 24 de março de 2026, o direito à prisão domiciliar — regime que o ministro Alexandre de Moraes manteve em 17 de julho, quando vetou visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições, segundo o G1.[*32]
Flávio classificou o julgamento de "farsa" e prometeu, em entrevistas, pedir anistia ao pai e aos demais condenados pelo golpe — e, se o Congresso não aprovar, conceder indulto, conforme a Euronews.[*33] Os juristas ouvidos pelo O Globo explicam os obstáculos: o indulto só pode sair depois da posse; não solta ninguém automaticamente; pode ser contestado no STF, que em 2023 anulou o indulto concedido por Jair ao deputado Daniel Silveira por "desvio de finalidade" — e os ministros Luiz Fux e Dias Toffoli já sustentaram que crimes contra o Estado Democrático de Direito não admitem indulto.[*34] Há ainda o placar em aberto: o ministro Kássio Nunes Marques avalia levar a julgamento, só depois do segundo turno, o pedido de revisão criminal da defesa de Jair, segundo o O Globo. A promessa de campanha, repetida em palanque, é a da foto: o pai subindo a rampa do Planalto ao lado do filho. A Constituição, os autos e o calendário discordam — mas o intervalo de dez semanas entre o segundo turno e a posse é o mesmo reservado à "Super PEC da Transição", e é nesse intervalo que a candidatura promete usar a "força do presidente recém-eleito" para aprovar a anistia no Congresso.[*35]

Só isso?

Voltemos, então, ao título. O mercado financeiro não quer, literalmente, que ninguém morra — mercados não têm mãos, não puxam gatilho, não assinam atestados. O título é uma provocação editorial sobre prioridades: o que a recepção favorável de parte do mercado revela é uma aposta na mudança da trajetória fiscal, não necessariamente uma concordância de cada investidor com cada medida estudada. O que o noticiário não diz, o que nenhuma cotação diz, é em quem o corte cairia.

É preciso separar três níveis. Primeiro, o que está reportado como estudo da equipe econômica e contestado pela campanha: corte de até R$ 250 bilhões, fim dos pisos de saúde e educação, aposentadorias e BPC corrigidos só pela inflação — segundo a Folha e o Brasil de Fato, para quem a maioria dos benefícios afetados vale exatamente um salário mínimo. Segundo, o que consta do programa de governo: o ataque à unicidade sindical e a defesa de acordos diretos entre trabalhador e empresa, reproduzidos pelo Outras Palavras. Terceiro, o que são avaliações de críticos — como a de que o trabalhador negociará sozinho contra um algoritmo, ou a de que a gestão de Flávio fortaleceria milícias — que são previsões e preocupações, não fatos confirmados.

A recepção favorável de parte dos investidores tampouco apaga a outra promessa da candidatura: buscar anistia ou indulto para um ex-presidente condenado por golpear a democracia. Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, citado pelo O Globo, apontou como risco para um eventual governo Flávio perder-se numa disputa com o STF. A relação com a promessa de perdão é leitura deste texto, não fala dele: a expectativa de ajuste fiscal anima investidores, e as consequências institucionais dessa outra agenda merecem o mesmo escrutínio.[*36]

O que está à venda no segundo turno, portanto, não é apenas um programa econômico. É um país com mais ou menos solidariedade. No dia 25 de outubro, a fila do INSS, a creche do bairro e o posto de saúde não votam — mas as pessoas que dependem deles votam, ou podem votar. Aos 21% que se abstiveram no primeiro turno, segundo o DW, a mensagem é simples: desta vez, parte do mercado já fez sua aposta. Falta ver quem paga a conta.

Notas
[*1]: Cobertura de mercado da segunda-feira, 5 de outubro, descrita por Valor e G1 sem que este texto reproduza cotações:
https://valor.globo.com/impresso/noticia/2026/10/06/mercado-tem-dia-de-euforia-apos-1o-turno-com-alta-de-77-da-bolsa-e-recuo-de-4-do-dolar-para-r-5.ghtml

[*2]: A reportagem do Extra registra ainda que a diferença entre os dois primeiros foi a menor da história de primeiros turnos: https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/10/eleicoes-2026-quantos-votos-recebeu-cada-candidato-a-presidencia-no-primeiro-turno.ghtml

[*3]: Segundo o DW, candidaturas minoritárias somaram 9,3 milhões de votos: https://www.dw.com/pt-br/elei%C3%A7%C3%B5es-2026-os-resultados-do-primeiro-turno-em-gr%C3%A1ficos/a-79563340

[*4]: Entre os integrantes anunciados em agosto, ex-secretários do Ministério da Economia e profissionais do mercado financeiro, como Andrei Spacov e Eduardo Cavendish Carvalho: https://veja.abril.com.br/economia/quem-integra-a-equipe-economica-de-flavio-bolsonaro-e-o-que-ela-propoe/

[*5]: A Folha descreve um cardápio de cerca de dez medidas com margem para negociação, mantendo a meta de corte; a coordenadora Daniella Marques já havia falado publicamente em ajuste de 1,5% do PIB (cerca de R$ 200 bilhões): https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/flavio-considera-mudar-correcao-da-previdencia-da-saude-e-da-educacao-para-obter-ate-r-250-bi.shtml e https://www.brasildefato.com.br/2026/10/08/menos-dinheiro-para-o-sus-para-educacao-e-para-os-aposentados-conheca-o-tesouraco-de-flavio-bolsonaro/

[*6]: Declarações de Elisa Machado (Kat Investimentos), Luiz Fernando Figueiredo (Jubarte Capital) e Silvio Campos Neto (Tendências) reproduzidas pelo O Globo; Campos Neto ressalvou que as convicções econômicas do candidato são pouco conhecidas e que o ajuste é impopular: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/05/o-que-dizem-os-analistas-de-mercado-sobre-o-resultado-do-primeiro-turno-das-eleicoes-2026.ghtml

[*7]: O teto de gastos da EC 95, aprovada em 2016, congelou o piso da saúde em 2017, corrigindo-o só pela inflação até 2023: https://www.brasildefato.com.br/2026/10/08/menos-dinheiro-para-o-sus-para-educacao-e-para-os-aposentados-conheca-o-tesouraco-de-flavio-bolsonaro/

[*8]: Estudo do Ipea citado pelo Brasil de Fato: perdas superiores a R$ 64,8 bilhões para o SUS entre 2018 e 2020, mesmo com recursos emergenciais da pandemia.

[*9]: O texto do Outras Palavras reproduz a reportagem da Folha de 22 de abril de 2026: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/

[*10]: Segundo o Brasil de Fato, o valor nominal dos benefícios não cairia, mas a cada ano de ganho real do mínimo quem recebe o piso ficaria para trás em relação a quem está na ativa: https://www.brasildefato.com.br/2026/10/08/menos-dinheiro-para-o-sus-para-educacao-e-para-os-aposentados-conheca-o-tesouraco-de-flavio-bolsonaro/

[*11]: O Outras Palavras nota que 23,3 milhões de benefícios do INSS — 66,2% do total — valem até um salário mínimo: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/

[*12]: O Outras Palavras registra que Flávio votou a favor da reforma aprovada, da qual o Congresso havia retirado as medidas mais duras do texto original: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/

[*13]: Na mesma ocasião, o candidato reafirmou intenção de fazer ajuste fiscal de cerca de 2% do PIB: https://valor.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/08/flavio-bolsonaro-diz-que-vai-fazer-ajuste-acima-da-inflacao-para-aposentadorias.ghtml

[*14]: A assessoria disse que a orientação econômica estava no plano de governo e nas declarações públicas do candidato e da equipe: https://www.brasildefato.com.br/2026/10/08/menos-dinheiro-para-o-sus-para-educacao-e-para-os-aposentados-conheca-o-tesouraco-de-flavio-bolsonaro/

[*15]: O capítulo abre com: "O país precisa se posicionar contra a República Sindical, em que os interesses de dirigentes das entidades se sobrepõem ao interesse dos trabalhadores": https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/

[*16]: O plano critica ainda o que chama de monopólios garantidos pela unicidade e promete que trabalhadores de aplicativo serão protegidos "sem os interesses de dirigentes sindicais à frente do processo": https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/ e https://noticias.r7.com/eleicoes/2026/escala-6x1-clt-e-aplicativos-confira-as-propostas-dos-presidenciaveis-para-o-trabalho-28082026/

[*17]: A interpretação de que o pacote dispensaria a negociação coletiva e revogaria a unicidade é dos analistas citados, não texto literal do programa: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/ e https://csb.org.br/opiniao/flavio-bolsonaro-elege-sindicatos-inimigos

[*18]: A Folha traz ainda a comparação entre as propostas de Flávio e de Lula sobre a escala 6x1: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/entenda-as-propostas-pelo-fim-da-escala-6x1-de-flavio-bolsonaro-e-lula.shtml

[*19]: A PEC 12, do senador Rogério Marinho, pretende acabar com a escala 6x1 de forma diferente da PEC 221, defendida pelo governo Lula, alterando parte do artigo 7º da Constituição: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/entenda-as-propostas-pelo-fim-da-escala-6x1-de-flavio-bolsonaro-e-lula.shtml

[*20]: A equipe defende ainda preservar a estrutura da reforma tributária do consumo, negociando ajustes, e citou o governo Milei como referência para reduzir burocracia: https://veja.abril.com.br/economia/quem-integra-a-equipe-economica-de-flavio-bolsonaro-e-o-que-ela-propoe/

[*21]: O levantamento do G1 destaca empresários e produtores rurais entre os doadores diretos; a família Verdi, do grupo Rodobens, enviou R$ 300 mil: https://g1.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/09/23/doadores-campanhas-presidenciais.ghtml

[*22]: Vorcaro foi preso no caso do Banco Master; revelou-se em maio de 2026 que Flávio cobrou dele a liberação de verbas restantes de um acordo de até R$ 134 milhões para um filme em homenagem a Jair Bolsonaro — Flávio nega irregularidade: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o

[*23]: Segundo a denúncia, 12 funcionários considerados fantasmas receberam ao todo R$ 6,1 milhões; Queiroz admitiu receber parte dos salários, mas disse que Flávio não sabia: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o e https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/04/flavio-bolsonaro-de-filho-do-ex-presidente-a-candidato-do-pl-a-presidencia-da-republica.ghtml

[*24]: Nóbrega foi expulso da PM em 2014, denunciado em 2019 e morto numa operação policial enquanto foragido na Bahia em 2020: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o

[*25]: Flávio nega as acusações e atribui as denúncias a perseguição política contra sua família: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o

[*26]: Relato de Marcelo Freixo, que conviveu com Flávio na Alerj, à BBC: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crmpv9r7mz9o

[*27]: Em outro episódio, Lula citou o Banco Master e disse que Flávio "tem ligação com milicianos": https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/09/18/lula-diz-que-flavio-tem-ligacao-com-milicianos-e-que-master-virou-banco-no-governo-bolsonaro.ghtml

[*28]: Edinho Silva, presidente do PT, em 4 de outubro de 2026: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/presidente-do-pt-diz-que-buscara-apoio-contra-milicias-no-2o-turno/

[*29]: Flávio negou vínculos com milícias e afirmou que pretende incluir esses grupos em uma eventual política de combate ao crime organizado: https://www.gp1.com.br/politica/noticia/2026/9/18/lula-esta-gaga-afirma-flavio-bolsonaro-apos-acusacao-sobre-milicias-631805.html

[*30]: Série da Folha sobre milícias no Rio, incluindo "TSE aposta em precedentes da corte para conter infiltração de facções e milícias nas eleições": https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/milicia-no-rj/

[*31]: Condenação por 4 votos a 1 da Primeira Turma, em 11 de setembro de 2025, por golpe de Estado e outros quatro crimes: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/09/11/primeira-turma-do-stf-condena-jair-bolsonaro-e-outros-sete-reus-por-golpe-de-estado.ghtml

[*32]: Em 24 de março de 2026, o G1 noticiou que Bolsonaro havia cumprido cerca de 1,2% da pena na cadeia ao obter a prisão domiciliar: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/24/condenado-a-27-anos-e-3-meses-de-prisao-por-golpe-de-estado-bolsonaro-cumpriu-cerca-de-1percent-da-pena-na-cadeia.ghtml

[*33]: Promessa feita em entrevista à Rede Globo: pedir amnistia ao pai e a todos os condenados pela tentativa de golpe, e, sem consenso, avançar com indulto: https://pt.euronews.com/2026/08/29/filho-de-bolsonaro-insiste-que-julgamento-do-pai-foi-uma-farsa-e-que-lhe-concedera-um-indu

[*34]: Juristas ouvidos pelo O Globo avaliam que a medida dificilmente se cumpriria a tempo da soltura antes da posse, marcada para janeiro: https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/07/caso-eleito-flavio-bolsonaro-poderia-conceder-perdao-a-jair-a-tempo-de-subir-a-rampa-com-o-pai-juristas-explicam.ghtml e https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/se-eleito-flavio-bolsonaro-poderia-perdoar-jair-a-tempo-de-ex-presidente-subir-a-rampa-com-filho-entenda.shtml

[*35]: Flávio disse que, se vencesse Lula, usaria a "força do presidente recém-eleito" para aprovar o texto da anistia entre o fim do segundo turno e a posse, permitindo que o pai o acompanhasse na cerimônia: https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/07/caso-eleito-flavio-bolsonaro-poderia-conceder-perdao-a-jair-a-tempo-de-subir-a-rampa-com-o-pai-juristas-explicam.ghtml

[*36]: Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central e professor de Georgetown, avaliou que Flávio teria base ampla para aprovar as reformas e apontou como único risco perder-se numa disputa com o STF, considerando ainda provável que fizesse composição para pedir apenas a saída de Alexandre de Moraes: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/05/o-que-dizem-os-analistas-de-mercado-sobre-o-resultado-do-primeiro-turno-das-eleicoes-2026.ghtml

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Entre memes e desinformação, o país da internet rápida e da escola lenta tropeça no próprio atraso Em 2024, o Brasil contava com mais de 84% da população conectada à internet — mais de 181 milhões de pessoas com acesso à web, de acordo com o Comitê Gestor da Internet (CGI.br). Em contrapartida, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua ude Educação, cerca de 11 milhões de brasileiros ainda são analfabetos — o equivalente à população de Portugal. Pior: se considerarmos os semianalfabetos, que conseguem juntar letras mas não compreendem o que leem, o número salta para quase 38 milhões de pessoas, conforme estimativas do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional). A matemática é simples e assombrosa: temos mais brasileiros conectados do que alfabetizados. A frase, que pode parecer exagerada, é uma síntese cruel do Brasil contemporâneo: um país onde o acesso à internet precedeu o acesso à compreensão. Um país onde os dedos navegam a...

Alli Willow e o ofício de existir em cena (por Frederico Ileck)

O Festival de Cinema de Rotterdam terminou esta semana e, entre tantos filmes, um trailer em especial me chamou a atenção: o de Yellow Cake. Em poucos segundos, a presença de Tânia Maria, com sua espontaneidade quase desarmante, já tornava o filme mais interessante do que o esperado. Logo depois, surge outra atriz, com um inglês polido, quase impecável. “Já vi esse rosto em algum lugar”, pensei. Fui aos créditos e lá estava: Alli Willow. Para minha surpresa, era a mesma atriz de Bacurau e de outras produções nacionais recentes — muitas delas, surpreendentemente boas. Foram poucos segundos de imagem, mas suficientes para reativar uma antiga paixão pelo cinema nacional. Fui atrás do contato da atriz e acabei conseguindo entrevistá-la. A impressão inicial se confirmou rapidamente: Alli Willow vem se consolidando como uma das presenças mais instigantes de sua geração. Ora, bastava digitar seu nome para que surgissem participações em séries e filmes — uma mais intere...

KALL MALX E O PLANO INFALÍVEL DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS (por Frederico Ileck)

Meu caros leitores, confesso sem pudor nenhum: sou um cartunista frustrado. Não de hoje. Já tentei de tudo pra vingar nessa arte nobre e ingrata, mas o mercado, a vida e minha caligrafia, meus péssimos rascunhos conspiraram contra mim. Entretanto, tenho meus eurekas. Momentos em que o cosmo e o Walter Mercado (ligue giá) me sopra uma ideia e eu, humilde servo da inspiração, pego o lápis e faço merda! Minha especialidade — se é que posso chamar assim — é misturar figuras monstruosas, filosóficas ou simplesmente patéticas com personagens de desenho animado. Já produzi obras que a posteridade ainda não soube apreciar: Mickey Myers (Mike Myers + Mickey Mouse); Dolly Kroeger (Dollynho seu amiguinho + Freddy Krueger); e o clássico Kall Malx (Cebolinha + Karl Marx), um filósofo revolucionário de planos Infalíveis. Pois bem. Estava eu revisitando o passado glorioso desta república de meu deus chamada Brazilzil quando me deparei com uma pérola da Veja de outubro de 1987. Um sargento de ...