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Analice no País das Más Notícias - Capítulo 3 – A Corrida da Notícia

Capítulo 3 – A Corrida da Notícia

O sino de plantão soou três vezes, e imediatamente o lago de notícias começou a borbulhar como panela em fogueira. Os personagens que flutuavam — Senhora Manchete, Camundongo-Correspondente, Quadro de Audiência, Repórter Mirim — ergueram os olhos como se atendessem a uma chamada coletiva.

— Estamos todos encharcados de notícias — reclamou a Senhora Manchete, espremendo títulos molhados como roupas de varal. — Precisamos secar de algum jeito!

— Uma corrida, oooiooooeeee hihihaha! — anunciou o Gato do Auditório, reaparecendo apenas pela metade, já com dentes sorrindo e microfone reluzente. — Nada seca melhor do que correr atrás do que nunca será alcançado!

O Camundongo bateu palmas nervosas.
— Corrida da Notícia! Corrida da Notícia! Mas… como funciona?

— É simples — disse o Gato. — Quem gritar “BREAKING!” primeiro pode mudar as regras.

— E o prêmio? — perguntou Analice, franzindo a testa.

— Ah, o prêmio é coletivo — explicou a Senhora Manchete. — Cada um ganha uma exclusividade que todos os outros também terão.

— Mas então deixa de ser exclusiva! — protestou Analice.

— Exatamente! — riu o Gato. — Por isso é notícia.

Um círculo foi improvisado sobre a água. Manchetes serviam de pista, e gráficos estatísticos flutuantes indicavam a direção — embora mudassem a cada segundo.

“EM PRIMEIRO LUGAR: TODOS!”
“O CAMUNDONGO JÁ VENCEU, MAS AGORA ESTÁ EM ÚLTIMO!”
“ANALICE DISPARA NA FRENTE, ENQUANTO PERMANECE PARADA!”

Analice tentou correr, mas descobriu que cada passo a fazia aparecer em outra manchete. Ora estava no “CADERNO DE POLÍTICA”, ora no “CADERNO DE POLÍCIA”, ora num editorial anônimo que defendia “correr sem nunca chegar”.

— Isso não faz o menor sentido! — exclamou, exausta.

— Claro que faz! — respondeu o Camundongo. — É a lógica do noticiário: quanto mais se corre, mais se fica parado no mesmo lugar.

— Não, não — interrompeu o Quadro de Audiência, oscilando nervosamente. — Quanto mais parado se fica, mais parece que se corre, desde que alguém filme.

O Repórter Mirim tirou uma foto da própria dúvida e guardou no bolso.

Quando a corrida finalmente terminou (ou começou de novo, ninguém soube ao certo), todos se reuniram ofegantes.

— Muito bem! — anunciou o Gato do Auditório. — Todos são vencedores. Cada um receberá um prêmio: a ilusão de que chegaram primeiro.

E distribuiu microfones invisíveis.

Analice examinou o seu, tentando entender.
— Mas isso não serve para nada!

— Exatamente — respondeu o Gato, com um salto de alegria. — É o prêmio perfeito: todo mundo exibe, ninguém usa.

O auditório invisível aplaudiu em eco.

Analice guardou o microfone transparente no bolso, ainda confusa. Mas antes que pudesse perguntar mais, o chão de manchetes tremeu, e uma figura apressada atravessou correndo: um Coelho-Âncora de Telejornal, de paletó amarrotado e gravata em nó frouxo.

Ele gritava:
— Estou atrasado para o plantão! Estou atrasado para o plantão! Se eu não der a notícia antes dela acontecer, perco o emprego!

E sumiu num corredor de chamadas reluzentes.

Analice, sem pensar duas vezes, correu atrás.




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