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Meu Diário Nada Querido, quarta 24.08.2025 às 3h47 da madrugada [por Frederico Ileck]


Meu Nada Querido Diário,

Era um fim de tarde qualquer de 2011 quando, após um dia duro de trabalho, resolvi fotografar o Koningsdag.

Nos meus primeiros dois anos na Holanda, eu achava esse dia o máximo. Depois comecei a chamá-lo de “dia da tralha” ou simplesmente “garbage day”.

Na essência, é o aniversário do rei — cada um comemora do seu jeito. A maioria resolve fazer um saldão das coisas que tem em casa. Muitas delas são tralhas... isso mesmo: lixo! Só que lixo holandês: um luxo.

É o filé mignon do consumismo fútil! Brinquedos, livros, furadeiras, artesanatos amadores, artistas frustrados, performances cringe... enfim. Uma mistura cinematográfica de Federico Fellini com Paul Verhoeven. Pra ser sincero, até o dia desta foto eu ainda adorava essa tosqueira, mesmo com um guri cruzando a todo valor em frente da câmera. Que lindinho!

Mas nesse ano em específico, as ruas estavam abarrotadas de produtos “made in...” algum canto do Oriente ou do Leste Europeu. Pelas barracas, dá pra sacar quem é local e quem é estrangeiro. Os primeiros, depois de ouvir o seu sotaque, já fecham a cara:
“Custa cinco euros.”
Sendo que, pra pessoa anterior, venderam por dois e cinquenta — e ainda trocaram elogios em dialeto.

Sabe, meu paciente diário, eu queria que esse dia fosse pro inferno. Só esse dia. Porque o rei da Holanda até parece um cara legal. Ele já foi apelidado de Prins Pils (Príncipe Cerveja), mas na real é o imponente Willem-Alexander Claus George Ferdinand... ou apenas “Willy”, como gosta de ser chamado.

Me despeço com um pensamento:

Se filha da puta voasse, não daria pra ver a luz do sol.

Até até.



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