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Nelson Piquet: De tricampeão mundial a chauffeur de presidente Biruleibe [por Frederico Ileck]

Quando assisti ao documentário da Netflix sobre Ayrton Senna, uma pergunta ficou martelando na minha cabeça: e o Nelson Piquet? E a rivalidade entre os dois? E aquela ultrapassagem em 1987, quando Piquet não só passou Senna na pista, mas ainda meteu um dedo do meio para ele? Nada disso foi retratado na série. Por isso, me sinto à liberdade e a vontade para falar do nosso “Dique Vigarista”, o senhor Nelson Piquet Solto Maior.

Nesse meio tempo, em uma das minhas desventuras pelo Instagram, vi um comentário do Emerson Fittipaldi elogiando o Max Verstappen. O holandês é casado com a filha de Piquet, Kelly Piquet. Um dos comentários do post dizia: "o fitti esta certo. O Senna reencarnou no Verstappen e pegou a filha do Piquet como vingança"

Eu gostava dessa rivalidade. Era o Rio x São Paulo na F1. Piquet nasceu em Brasília, mas dane-se... o artigo é meu! 

Voltando ao assunto, mesmo com essas tretas todas, tenho minha admiração pelos dois. E ai resolvi comprar algo para recordar os tempos em que eu era fã de Fórmula 1. Procurei miniaturas dos carros de Piquet e Senna. A Lotus amarela de 1988, de Piquet, custava apenas dois euros e cinquenta centavos. Já a versão anterior, do Senna, estava por €12,50. Tudo relacionado a Ayrton era mais caro do que ao Piquet — até mesmo a Benetton, a última equipe que fez parte, tinha preço ridiculamente baixo. Será que a antipatia que o piloto despertava era a razão de ser tão desvalorizado? Resposta: SIM!

Mas vamos deixar de lado o emocional e focar no lado técnico. Piquet foi sinônimo de genialidade ao volante. Três títulos mundiais na Fórmula 1 (1981, 1983 e 1987), numa era dourada, disputando espaço com lendas como Alain Prost, Niki Lauda, Nigel Mansell, Ricardo Patrese e, claro, Ayrton Senna. A rivalidade com o Paulista não ficou só na pista: o carioca abusava de comentários machistas, homofóbicos e misóginos, como se isso fizesse parte da “estratégia de corrida”. "Alguém já viu ele com alguma mulher?", espalhou sem nenhuma prova. Eu achava aquilo totalmente desnecessário, entretanto Piquet sentia prazer em fazer esse tipo de comentário.

Em cima de um ego e um talento incontestável, Piquet construiu sua fama. Passou por equipes como Ensign, Brabham — onde brilhou sob a batuta de Gordon Murray — Williams, Lotus e Benetton. Seu estilo técnico, preciso e calculista o colocou entre os grandes. Mas, com o passar dos anos, sua imagem pública ficou muito mais marcada pela língua solta e polêmica do que pelo talento.

Após se aposentar, em vez de envelhecer com dignidade como um ídolo reservado, Piquet resolveu virar caricatura de si mesmo. Tornou-se um figurante barulhento no cenário político brasileiro, alinhado ao bolsonarismo, participando de motociatas e se posicionando como um porta-voz de ideologias ultrapassadas — um tricampeão mundial que trocou o cockpit pelo banco do passageiro, literalmente dirigindo para Jair Bolsonaro, numa tentativa desesperada de conquistar um “pódio” de relevância.

Pior ainda foi vê-lo se transformar em um palanque ambulante de declarações lamentáveis. Chamou Lewis Hamilton de “neguinho”, numa fala que repercutiu mundialmente como um exemplo cristalino de racismo disfarçado de “brincadeira”. Tentou se justificar, mas o mundo evoluiu e Piquet ficou parado na curva da ignorância.

Na esfera familiar, tentou manter sua influência no automobilismo por meio do filho, Nelsinho Piquet, cuja carreira ficou mais marcada pelo infame “crashgate” em Singapura — quando bateu propositalmente para beneficiar Fernando Alonso — do que por conquistas. E há também sua filha Kelly Piquet, que hoje é mais conhecida pelo relacionamento com Max Verstappen do que por feitos próprios. Ironia do destino: a sombra de Piquet ainda paira sobre o atual campeão da F1, mas pelas razões erradas.

Enquanto Verstappen brilha nas pistas e escreve sua própria história, Piquet parece querer se manter relevante às custas de polêmicas vazias, frases retrógradas e uma presença constante num bolsonarismo decadente. É triste ver um tricampeão mundial se reduzir a uma subcelebridade política, tentando pilotar manchetes com as mesmas mãos que um dia seguraram troféus em Mônaco.

Nelson Piquet, que um dia foi sinônimo de ousadia e talento, hoje é lembrado mais por sua falta de freios na língua e por suas curvas perigosas fora das pistas. Um exemplo vivo de que glória sem caráter não vale nem o preço da gasolina que ele gastou para seguir cegamente um comboio rumo ao retrocesso.

Se você chegou aqui e sentiu asco nessas duas últimas imagens, lembre-se... tamo junto e misturado!



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