Doorgaan naar hoofdcontent

Os Reis do Nada [por Fred Ilek]

Após uma reunião cansativa, entro na empresa no qual eu trabalho e me dou de cara com um colega que sempre tem reações estranhissimas de quando é confrontado. Ele para, fica sem falar um palavra para o grupo e da a impressão de que está incomodado com algo no qual não quer falar. Ele acha que sabe tudo, porém em si é um grande de um pateta.

De imediato comento com um dos meus colegas sobre essa reação dele. "Cara, isso é irritante. Agora você entende o porquê eu não gosto desse cara", comentei. "Ele é assim porque é um Pilho da Futa. Ele é muito inseguro! Nunca sabe o que esta fazendo", respondeu de forma direta. Qual dos dois seria o mais sábio? Ou até mesmo qual dos três, pois me incluo nessa bagunça! Teria algum de nós algum excesso de autoconfiança?

Os grandes sábios da humanidade sempre nos alertaram contra os perigos do excesso de autoconfiança. Sócrates já dizia a frase óbvia de que "só sei que nada sei", mas experimente dizer isso a um gênio contemporâneo do Twitter (ou X), e ele responderá: "isso é a sua opinião". Não há maior prova da modernidade do que um completo idiota se achando um gênio – e errando com a segurança de um Napoleão de hospício.

Vivemos uma era em que qualquer um pode ser rei, desde que não precise de um reino. O excesso de autoestima transformou a mediocridade em um troféu, e a ignorância passou a se chamar de "opinião". O sujeito lê uma thread qualquer, decora três frases de efeito e já se sente mais sábio do que Aristóteles. Aliás, para que Aristóteles, se temos infográficos motivacionais no Instagram?

Nietzsche advertiu sobre o perigo de olharmos demais para o abismo, mas não contava com o cara que se acha um Übermensch só porque lê dois parágrafos de Zaratustra e pula o resto. O problema do excesso de confiança é que ele se baseia, paradoxalmente, na mais pura ignorância. Bertrand Russell já explicou isso com o chamado "efeito Dunning-Kruger" avant la lettre: os menos capazes são justamente os mais convictos de sua própria genialidade.

A questão não é só errar – errar todo mundo erra. O problema é errar com convicção, com pompa, com a certeza de que está revolucionando o pensamento humano ao dizer que a Terra é plana, que o aquecimento global é uma invenção dos pinguins comunistas ou que "os fatos são questão de opinião". É o velho paradoxo de que um idiota com autoestima é sempre mais perigoso do que um sábio em dúvida.

Mas, e agora? O que fazer? Será que o problema é da internet, da sociedade ou simplesmente da humanidade, que sempre teve uma atração especial pelo ridículo? Será que um pouco de dúvida não faria bem para a humanidade – ou será que questionar isso já é sinal de que estou me achando esperto demais?

O fato é que, enquanto refletimos, os Reis do Nada seguem seus reinados, segurando cetros imaginários e emitindo decretos definitivos sobre tudo. E talvez, no fim das contas, sejamos todos súditos desse mesmo castelo de vento.



Reacties

Populaire posts van deze blog

América Invertida: A Virada de Olhar que a América Latina [por Frederico Ileck]

Precisa Reflexões sobre identidade, ancestralidade indígena e a descolonização do olhar latino-americano a partir da obra de Joaquín Torres-García.  Obra " América Invertida ", de Joaquín Torres-García, 1943 Recentemente, fiz um teste de DNA e descobri algo que mexeu profundamente comigo: 4,5% do meu sangue é indígena. Parte dessa herança vem do norte da América do Sul (Venezuela, Colombia e Equador), outra parte do Chile. E no meio desses percentuais, de dados frios e distantes, existe uma mulher cuja presença ainda ecoa, mesmo que o silêncio tenha tentado apagá-la: minha bisavó, Dona Maria Ursula Andrade . Uma gigante silenciada pela história da minha família. Uma mulher invisível aos olhos dos que preferiram contar outras versões da nossa origem. Pois é a ela que eu dedico este texto. Durante muito tempo, minha família insistiu em uma identidade que não nos pertencia. Repetia-se, quase como mantra, que nossa origem era italiana, europeia, como se isso n...

KALL MALX E O PLANO INFALÍVEL DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS (por Frederico Ileck)

Meu caros leitores, confesso sem pudor nenhum: sou um cartunista frustrado. Não de hoje. Já tentei de tudo pra vingar nessa arte nobre e ingrata, mas o mercado, a vida e minha caligrafia, meus péssimos rascunhos conspiraram contra mim. Entretanto, tenho meus eurekas. Momentos em que o cosmo e o Walter Mercado (ligue giá) me sopra uma ideia e eu, humilde servo da inspiração, pego o lápis e faço merda! Minha especialidade — se é que posso chamar assim — é misturar figuras monstruosas, filosóficas ou simplesmente patéticas com personagens de desenho animado. Já produzi obras que a posteridade ainda não soube apreciar: Mickey Myers (Mike Myers + Mickey Mouse); Dolly Kroeger (Dollynho seu amiguinho + Freddy Krueger); e o clássico Kall Malx (Cebolinha + Karl Marx), um filósofo revolucionário de planos Infalíveis. Pois bem. Estava eu revisitando o passado glorioso desta república de meu deus chamada Brazilzil quando me deparei com uma pérola da Veja de outubro de 1987. Um sargento de ...

O Brasil se digitalizou antes de se alfabetizar (por Frederico Ileck)

Entre memes e desinformação, o país da internet rápida e da escola lenta tropeça no próprio atraso Em 2024, o Brasil contava com mais de 84% da população conectada à internet — mais de 181 milhões de pessoas com acesso à web, de acordo com o Comitê Gestor da Internet (CGI.br). Em contrapartida, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua ude Educação, cerca de 11 milhões de brasileiros ainda são analfabetos — o equivalente à população de Portugal. Pior: se considerarmos os semianalfabetos, que conseguem juntar letras mas não compreendem o que leem, o número salta para quase 38 milhões de pessoas, conforme estimativas do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional). A matemática é simples e assombrosa: temos mais brasileiros conectados do que alfabetizados. A frase, que pode parecer exagerada, é uma síntese cruel do Brasil contemporâneo: um país onde o acesso à internet precedeu o acesso à compreensão. Um país onde os dedos navegam a...