"Ainda Estou aqui" ganha o Oscar após décadas de 'quase', 'talvez' e 'quando será?'" [por Fred Ilek]
Pessoas, não sou um sifilítico, mas sou um cinéfilo! E finalmente, amigos, o Oscar é nosso. E foi numa dessas madrugadas de Carnaval no Brasil quando Walter Salles subiu ao palco do Dolby Theatre para receber o Oscar de Melhor Filme Internacional. O diretor, visivelmente emocionado, dedicou o prêmio a Eunice Paiva e a todas as famílias que ainda buscam respostas sobre seus entes desaparecidos. "Ainda Estou Aqui" não apenas trouxe o primeiro Oscar nessa categoria para o Brasil, mas também reafirmou a potência do cinema nacional. Com atuações marcantes de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, o filme narra a história real de Eunice Paiva, que enfrentou o regime militar em busca do marido, preso e desaparecido nos anos 1970.
O impacto da vitória foi imediato. No Rio de Janeiro e em São Paulo, as ruas — já tomadas pelo Carnaval — celebraram o feito como uma conquista nacional. A imprensa internacional destacou a relevância do filme, sua abordagem histórica e a força da interpretação de Torres, que chegou a ser indicada a Melhor Atriz. Para muitos, a vitória redimiu anos de injustiças contra o cinema brasileiro na premiação.
As Derrotas ao Longo dos Anos
A trajetória do Brasil no Oscar é longa e marcada por frustrações. A primeira tentativa veio em 1963, quando O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, concorreu ao prêmio de Melhor Filme Internacional. Já vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o filme perdeu a estatueta para *Les dimanches de Ville d'Avray*, da França.
No entanto, antes mesmo dessa tentativa, o Brasil já havia sido indiretamente celebrado no Oscar com *Orfeu Negro* (*Black Orpheus*), de Marcel Camus, que levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro em 1960. Apesar de ser uma produção franco-italiana, o filme foi ambientado no Rio de Janeiro e baseado na peça *Orfeu da Conceição*, de Vinicius de Moraes, com uma trilha sonora icônica de Tom Jobim e Luiz Bonfá. A vitória de *Orfeu Negro* foi um momento de orgulho para a cultura brasileira, ainda que o filme não fosse tecnicamente uma produção nacional.
Outro momento importante, ainda que não diretamente ligado ao Brasil, foi o sucesso de O Beijo da Mulher Aranha (1985), dirigido pelo argentino Héctor Babenco. O filme, baseado no romance de Manuel Puig, foi rodado no Brasil e contou com a atriz brasileira Sônia Braga no elenco, ao lado de William Hurt e Raul Julia. Apesar de ser uma produção estadunidense, o filme teve forte conexão com o Brasil e foi indicado a quatro categorias no Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. William Hurt levou o prêmio de Melhor Ator, marcando a primeira vitória de um ator interpretando um personagem abertamente homossexual. Foi um marco importante para o cinema latino-americano, ainda que o Brasil não pudesse reivindicar a vitória como sua.
Uma década depois, em 1996, O Quatrilho, de Fábio Barreto, reacendeu a esperança brasileira, mas foi derrotado pelo holandês *Antonia*, de Marleen Gorris. Dois anos mais tarde, em 1998, o Brasil voltou à disputa com *O Que É Isso, Companheiro?*, de Bruno Barreto, baseado no sequestro do embaixador americano durante a ditadura militar. O prêmio, no entanto, ficou novamente com a Holanda, desta vez com "Karakter", de Mike van Diem.
A derrota mais sentida, porém, veio em 1999, quando "Central do Brasil", também de Walter Salles, chegou como um dos favoritos ao Oscar. A performance de Fernanda Montenegro emocionou o público e rendeu-lhe uma indicação a Melhor Atriz, tornando-a a primeira latino-americana a concorrer na categoria. No entanto, o filme perdeu para o italiano "A Vida é Bela", de Roberto Benigni, enquanto a estatueta de Melhor Atriz foi para Gwyneth Paltrow, por "Shakespeare Apaixonado".
Outras produções brasileiras conseguiram destaque em Hollywood, como "Cidade de Deus" (2004), que recebeu quatro indicações, e a animação "O Menino e o Mundo" (2016), mas nenhuma delas conseguiu transformar as nomeações em prêmios.
O Reconhecimento Tardio, Mas Justo
E a vitória, que vitória camarada. E "Ainda Estou Aqui" lavou a minha e a nossa alma em 2025 é mais do que uma consagração de Walter Salles. Ela simboliza a persistência de um cinema que, há décadas, luta por reconhecimento em um cenário global competitivo. Se "Central do Brasil" merecia ter vencido em 1999, "Ainda Estou Aqui" chegou no momento certo, abordando um tema que dialoga não só com o Brasil, mas com o mundo.
O Oscar finalmente encontrou o Brasil. E, desta vez, não houve injustiça.
Excellent article with all our history to win the Oscar, best foreign movie. I only regret how the comedian Conan O'Brien presented the film with a typical idiot American joke: when announcing the winner, he said: The film 'I'm Still Here' talks about a woman who has to live alone after her husband disappears. My wife said she loved the story and wanted it to happen to her." This comedian must not have seen or read about the film or about the dictatorship that took many people away. Imagine if we made fun of 9/11. The only American who was able to speak openly was Michael Moore. On Fahrenheit 9/11, Moore sought not only to criticize Bush, but to show what kind of president of the United States he really was. With irony, not with a joke, Moore shows a ridiculous, cynical George W. Bush. To illustrate this neglect, the film shows the moment when the former American president is informed that the country is about to be attacked. Bush does not move. He continues reading a children's book to a group of children. Could you imagine make a joke of it in a foreign country?
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