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Nada pior que o silêncio [por Fred Ilek]

 

Ou O Silêncio Ensurdecedor

Dizem que o silêncio é de ouro. E como isso é valiozo meus caros. Imaginem se isso estivesse a venda? Já teriam criado um mercado de especulação para vendê-lo a preços exorbitantes. O silêncio, na verdade, é um tirano disfarçado de virtude, um ditador que tortura com a ausência. Se fosse apenas um vazio, vá lá – o problema é que ele é cheio de significados.

O silêncio de um amigo que não responde. O silêncio de um chefe que “vai pensar no seu pedido de aumento”. O silêncio de alguém que te olha com aquela cara de “não vou nem me dar ao trabalho de responder essa tolice”. Que asco, o silêncio! Ele pode significar tudo e nada ao mesmo tempo – e, pior, obriga a vítima a preencher as lacunas com os próprios medos.

Voltaire, que era um homem de palavras (milhares, aliás), provavelmente diria que o silêncio é a pior forma de despotismo. Um rei cruel ao menos grita suas ordens; já isso bem colocado pode transformar um otimista em um paranoico em questão de segundos. Ele não argumenta, não justifica, não dá direito de resposta. É o assassino perfeito.

E como a humanidade parece que gosta de tortura, nós nos rodeamos de muitos silêncios insuportáveis. A quietude do elevador quando alguém solta um comentário imbecil e ninguém se atreve a corrigir. Todos calados antes do veredito, quando o réu já suou a alma para fora. O nada de quem lê sua mensagem e deixa o "visualizado". Ou da pessoa amada que poderia dizer qualquer coisa – até um insulto – mas escolhe não dizer nada.

Cara, como seria melhor um belo e bom escândalo! Um grito, um tapa na cara, um “não quero te ver nunca mais!”. Isso sim é humano, compreensível, direto. Mas não – escolhemos o silêncio, essa tortura chinesa dos relacionamentos modernos, essa ferramenta de opressão emocional, esse nada que pesa uma tonelada.

Talvez devêssemos aprender com as crianças, que gritam ao invés de ficar em silêncio. Porque, no fim das contas, só os ingênuos e os déspotas sabem ficar calados sem sofrer. O resto de nós, meros mortais, vive atormentado por tudo aquilo que o silêncio não diz.



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