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Carnaval, Censura e a Santa Hipocrisia [por Fred Ilek]

Você deve ter lido meu artigo anterior. Viu que NÃO SOU FÃ DE CARNAVAL, mas o direito é de todos comemorarem a festa, bem ou mal vestidos ou até mesmo nus curtindo os prazeres da carne, claro! 

É isso mesmo que você leu, minha gente. Vamo que vamo. In Vino veritas e em Carnavalis sambais maus o benes. Mas mesmo eu com esse latim vulgar de bêbado inventado tenho mais bom senso que muita gente por ai. Não quero obrar regras, mas tem prefeito por aí que resolveu bancar o fiscal da alegria e cancelar o Carnaval porque… bem, porque não gosta. O senhor Liba Fronza do PSD de Navegantes, Santa Catarina. Mil desculpas pela minha ignorância, mas seria partido Social Democrático ou Social anti-demônio. Bem, as siglas dos partidos do Brasil eu nunca entendi e não vai ser agora que vou entender. E ainda uma onda  conservadora  cobre o Sul do nosso Brasilsil e proibem o Carnaval! Seria esse o início do Evangeliquistão? Até celebridades que um dia transaram dentro de um cafofo de um "reality show" e eram destaque de escola de samba hoje desdenham a festa? Estranho. Parece até feitiçaria.

Entretanto isso é o puro suco da caretice, com um toque de extremismo religioso e uma pitada de “moral e bons costumes” — aquela receita que já conhecemos bem e que nunca acaba bem.

A justificativa? Ah, tem de tudo: desde um papo furado de que "o povo tem que rezar em vez de pular" até a velha desculpa da “falta de recursos”, que nunca aparece quando é pra gastar com show sertanejo ou festa de rodeio. Mas sejamos sinceros: a real é que a turma do conservadorismo tupiniquim não engole a ideia de um monte de gente na rua se divertindo, bebendo, beijando, dançando e sendo feliz sem pedir permissão pra ninguém.

O engraçado — se é que dá pra achar graça — é que essa galera que brada contra o Carnaval em nome da religião é a mesma que, na Bíblia, provavelmente estaria no time dos fariseus, apontando o dedo pra Jesus por andar com pecadores. Aliás, se Jesus voltasse hoje, ele ia ser chamado de comunista. Pode apostar: um cara pregando amor, dividindo pão, defendendo os excluídos e chutando os mercadores do templo? Ia ter deputado gravando vídeo dizendo que ele era “lacrador” e “inimigo da família tradicional”.

Mas voltemos ao Carnaval. Que a pessoa não goste da folia, beleza. Tem gente que prefere um feriadão tranquilo, sem confete e serpentina, e tá tudo certo. Agora, querer impor isso pra todo mundo? Ah, meu amigo, isso já é babaquice. Quer rezar? Vai pra igreja. Quer pular? Vai pro bloco. O que não dá é um bando de coroné travestido de prefeito decidir pelo resto da população como ela deve gastar seu feriado.

No fim das contas, a proibição do Carnaval não tem nada a ver com segurança, economia ou qualquer outra desculpa esfarrapada. Tem a ver com controle. Com um projeto de poder que quer enfiar na marra um Brasil cinza, sisudo e submisso, onde só se pode festejar o que os manda-chuvas aprovam.

Mas não se engane: a alegria sempre encontra um jeito de driblar a censura. Sempre foi assim, e sempre será. Pode cancelar o desfile oficial, mas o povo vai pra rua. Podem cortar verba, mas o tambor não para. Proibir o Carnaval? Bobagem. O Carnaval é resistência. E isso é justamente o que incomoda tanto essa turma.


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