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As trombetas do inferno [por Fred Ilek]

Era uma vez um homem, vamos chamá-lo de Romero, que, após uma vida de excessos e contradições, finalmente encontrou seu fim em um acidente peculiar envolvendo uma torradeira e um banho de espuma. Ao abrir os olhos, Romero se viu diante de um portão enorme, adornado com letras flamejantes que diziam: "Inferno: Aqui o Pecado é um Estilo de Vida. Pero siga bailando, pelotudo!"


Com um misto de curiosidade e resignação, Romero avançou. Para sua surpresa, em vez dos gritos angustiantes e do fogo eterno que ele esperava, foi recebido por uma orquestra de metais, onde a maioria delas eram trombetas. E esse grupo infernal tocava uma música vibrante. Impossível não dançar. Ele reconheceu imediatamente o ritmo: era a famosa " La Murga de Willie Colón", uma música que ele nunca pensou que ouviria no pós-vida.

    Aqui a música 👉 La Murga 

Intrigado, Romero perguntou a um demônio de terno impecável e chifres polidos e a cara do Tito Puente. Em si era o maestro: "Por que estão tocando isso? Não deveria ser algo mais... infernal? Tipo Carmina Burana, rainig blood, should my soul ou qualquer sinfonia Mahler? Aliás, ele está por aqui? "

O demônio sorriu, explicou que o Mahler estava dando aulas de música em outro departamento e revelou com um sorriso vindo de dentro dentes a razão pelo qual La Murga tocava. "Ah, meu caro Romerito, o Inferno modernizou-se. Descobrimos que torturar almas com música que não conseguem parar de dançar é muito mais eficaz do que fogo e enxofre. Além disso, Willie Colón é um sucesso universal. Até os condenados merecem um pouco de sabor latino, não acha?"

Romero, ainda perplexo, foi conduzido por um corredor repleto de telas de luzes que exibiam propagandas de cerveja, rabas de mulheres e seguros de vida. Ele passou por uma área chamada "Zona do Arrependimento", onde almas dançavam salsa enquanto tentavam, em vão, equilibrar copos de água na cabeça. Outra área, chamada "Vale da Vaidade", tinha espelhos que só refletiam os piores ângulos possíveis, enquanto demônios sussurravam: "Você realmente achou que essa camisa combinava com você?"
Finalmente, Romero chegou ao grande salão do trono, onde Lúcifer, um sujeito charmoso de terno vermelho e óculos de sol, estava sentado em uma cadeira reclinável, segurando um mojito. "Bem-vindo ao Inferno 2.0, Romero Brixto! Aqui, a tortura é psicológica e sempre acompanhada de um bom ritmo. Você vai adorar nossa playlist. Temos desde tango até reggaeton. E, claro, muita murga."

Romero tentou protestar, mas já estava sendo arrastado para a pista de dança por um grupo de demônios animados. Enquanto dançava, ele percebeu que, de fato, o Inferno não era o que ele imaginava. Era até agradável. Era eterno, era ridículamente lindo, e, acima de tudo, era impossível parar de dançar.

E assim, Romero passou a eternidade dançando ao som de trompetes e percussões (claro, o maestro era Tito Poente). Questionando suas escolhas de vida e, ocasionalmente, rindo da ironia cósmica de tudo aquilo. Afinal, como diria o padre Quevedo, issso nnooo ecxxxiisstteeee e se o Inferno eccxxxiste, ele certamente teria um toque de absurdo e uma trilha sonora irresistível.
Oooppppaaaaa (Rick Martin também estava lá.. mas ele não morreu?)

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