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A vida virtual é chato para um C... [por Fred Ilek]

O virtual, cujo fluxo constante de notificações, avatares erguidos para exibição e curtidas virtuais são uma criação da nossa era. E por trás de todo o entusiasmo pelo seu poder de conectar e realizar tarefas, às vezes pode não passar de uma mera imitação vazia da existência humana real. E se você se destaca nessa vida virtual, pergunte-se se está realmente sobrevivendo — ou se é apenas um fracasso no mundo por trás da tela.

Filósofos vêm nos alertando sobre o desapego da realidade há anos. Jean Baudrillard, ao escrever Simulacros e Simulação, declarou que a sociedade contemporânea havia substituído a realidade por signos e símbolos, criando uma hiper-realidade onde o simulado e o real não podem mais ser distinguidos. O virtual é a perfeição dessa hiper-realidade. Perfis em redes sociais, por exemplo, são geralmente fachadas que trabalhamos duro para construir, um eu idealizado e reluzente que pouco tem a ver com nossas vidas reais. Se você "tem sucesso" nesse meio — acumulando seguidores, curtidas, viralizando — o que está realmente conquistando? Você está vencendo em uma simulação, e não no jogo confuso, complicado e gloriosamente humano da vida real.

Sócrates alertou contra a tentação de parecer saber e os perigos da superficialidade. Em Fedro, ele condena a escrita como uma tecnologia que armazena a memória e fornece apenas a aparência de sabedoria. Podemos atualizar essa acusação para a era da internet e dizer que essa feramenta oferece a aparência de conexão e produtividade. Você pode se tornar uma estrela porque seu tweet (ou X) viralizou ou porque tem milhares de "amigos" "online", mas essas são imitações frágeis de contatos reais e de sucesso verdadeiro, infelizmente. Se você é bem-sucedido na realidade virtual, pode estar falhando no tipo de compromisso profundo e reflexivo com a vida que o filósofo grego exemplificava. Já o filósofo existencialista Søren Kierkegaard clamava por autenticidade e responsabilidade.

Em O Desespero Humano, ele descreve como as pessoas fogem de si mesmas ao se ocuparem com distrações externas. O mundo da fotografia é a distração suprema: nos diverte infinitamente, nos proporciona aplausos e uma sensação de conquista — ao custo de nos desconectar de nós mesmos. Se você tem sucesso "online", talvez esteja evitando a tarefa mais difícil e recompensadora de viver sua própria vida e criar um sentido real para ela. Por fim, o mundo virtual é uma armadilha sedutora. Ele impõe superficialidade, conformismo e nos distrai das questões e prazeres genuínos da vida. O que é mais importante para você? Um discussão sobre temas geralmente conservadores ou até mesmo progressistas ou o seu dia-a-dia no trabalho ou ma sua casa? Isso influência mesmo na sua vida?


Se você está jogando, vale a pena se perguntar: você está realmente jogando ou está, na verdade, fracassando no mundo real, escondido atrás do brilho de uma tela? Como escreveu o filósofo Albert Camus em "o absurdo", podemos atualizar o pensamento do filosofo afirmando que o mundo virtual é uma versão contemporânea do absurdo — um lugar onde buscamos significado no vazio e nos distanciamos cada vez mais do real. Talvez seja hora de desconectar e começar a viver.


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