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Voltei, meus caros amigos. Parecia que estava hibernando [por Fred Ilek]

Você já sentiu que perdeu completamente o jeito para algo que um dia já amou fazer? Já olhou para um talento adormecido e pensou: "Esquece, isso não é mais para mim"? Pois bem, eu também. Durante seis anos, não escrevi nada. Absolutamente nada. Em termos artigos jornalisticos ou algo mais literária. Em si era tudo no piloto automático. Apenas um um bilhete, uma legenda decente no Instagram, uma carta a um cliente que não pagou a conta ou aquela mensagem dramática para a esposa, pelo fato de ter esquecido algo importante.

Minha relação com as palavras estava pior do que relacionamento tóxico: ignorância mútua, silêncio constrangedor e uma sensação incômoda de que algo estava faltando. Meu corretor ortográfico, coitado, se deu por vencido e me deixou à própria sorte, sem nem tentar sugerir palavras. Mas um dia, sem aviso prévio, tudo mudou.
         De repente, PIMBA, acordei!

Não foi uma revelação divina, nem um momento cinematográfico de epifania. Foi apenas um dia qualquer, depois de um expediente qualquer, exato dia 08/01/2025 após uma video chamada com colegas do Brasil, em uma caminhada que, de tão exausta, me fez questionar toda a existência adulta. Pagar contas, fingir que gosta de reuniões, aceitar que felicidade plena talvez seja apenas um conceito de propaganda... Você sabe como é.

Mas, no meio desse cansaço todo, veio um pensamento incômodo e insistente: e se eu voltasse a escrever?

Eu ri. Sério, ri alto. A ideia parecia tão absurda quanto correr uma maratona depois de seis anos no sedentarismo. Mas então aconteceu algo inusitado: uma colega pediu minha ajuda para revisar um texto semanas depois da video chamada. E, enquanto corrigia, percebi que ainda sabia alguma coisa. Ainda reconhecia uma boa frase, ainda entendia o ritmo de um parágrafo, ainda sentia aquele arrepio quando uma ideia se encaixa perfeitamente.

Foi como reencontrar um velho amigo. No começo, hesitante, sem saber direito o que dizer. Mas logo as palavras voltaram, como quem entra sem bater, pega do seu melhor vinho da sua pequena adega e se senta na sua bela mesa e te diz: "olá,  finalmente lembrou de mim. Por onde começamos?"

Então, carississimo leitor, se você também sente que deixou algo para trás — seja um talento, um sonho ou até mesmo uma paixão antiga —, deixa eu te contar um segredo: isso nunca vai embora de verdade. Pode adormecer ou hiberna profundamente, pode se esconder, mas está ali, esperando você abrir uma fresta para voltar.

Hoje, eu não escrevo porque sou um "Jênio" das palavras. Escrevo porque percebi que isso me faz bem para um BARALHO. Escrevo porque preciso, porque rir da própria desgraça é um mecanismo de sobrevivência. E, se você está lendo isso, talvez seja um sinal de que também precisa voltar para algo que um dia te fez feliz. Então liga para aquela ex que te abandonou e pode ser que tenham a noite dos sonhos e uma vida de pesadelo juntos. Sei lá, entregue-se aos pecados da carne, como diria o Kid Bengala.

Não sei por quanto tempo vou continuar. Não sei se a inspiração vai me abandonar de novo. Mas, se isso acontecer, tudo bem. Porque agora eu sei que ela sempre volta. Principalmente quando estou cansado, com fome e sem paciência para mais um dia de trabalho.

E você? O que está esperando para abrir essa porrrrr... porta? (Pensou em outra palavras, hein?)

(P.S.: Se houver erros de português neste texto, favor atribuir à estafa.)

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