Dizem que falir é o fim. Que é a derrocada, o desastre, o ponto final na história de um empreendimento, de um sonho, de uma vida. Mas eu, que sempre vi o mundo de cabeça para baixo (ou seria de baixo para cima?), digo: falir não é o fim. É, na verdade, um recomeço disfarçado de tragédia. Uma comédia divina escrita por um autor anônimo que, certamente, ri às gargalhadas de nossas pretensões humanas.
Falir é como morrer. Sim, morrer. E não falo da morte definitiva, aquela que nos leva para o além ou para o nada (depende de sua crença ou falta dela). Falo da morte necessária, a que Nietzsche tão bem descreveu em seu eterno retorno. Para renascer, é preciso morrer. Para construir, é preciso destruir. Para subir, é preciso cair. E falir, caro leitor, é uma dessas quedas gloriosas que nos preparam para voos mais altos.
Mas por que, então, tememos tanto a falência? Por que a tratamos como uma praga, uma maldição, um estigma social? A resposta é simples: porque fomos educados para temer o fracasso. Desde pequenos, nos ensinam que errar é vergonhoso, que perder é inadmissível, que falir é sinônimo de incompetência. E assim, crescemos com medo de cair, de tropeçar, de falhar. E, pior, crescemos sem aprender a levantar.
A filosofia, essa velha sábia, sempre soube que o erro é parte essencial do caminho. Sócrates, com sua ironia mordaz, nos mostrou que só sabemos que nada sabemos. E se nada sabemos, como podemos temer o fracasso? Como podemos temer algo que, no fundo, é apenas mais uma lição disfarçada? Falir, nesse sentido, é como ser desafiado por Sócrates: é doloroso, é humilhante, mas é necessário. É o momento em que percebemos que nossas certezas eram frágeis, que nossos planos eram falhos, que nossa arrogância era infundada.
E não é só Sócrates. Heráclito, o obscuro, já dizia que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio. A vida é fluxo, é mudança, é transformação. E a falência é parte desse fluxo. É a correnteza que nos arrasta para um novo curso, um novo destino. Resistir a ela é nadar contra a maré. Aceitá-la é deixar-se levar para águas mais calmas (ou mais turbulentas, quem sabe?).
Mas e o sofrimento, você pergunta. E a dor de ver tudo ruir, de perder o que se construiu com tanto esforço? Ah, o sofrimento. Esse velho companheiro da existência humana. Schopenhauer diria que o sofrimento é inerente à vida, que é o preço que pagamos por existir. Mas eu digo mais: o sofrimento é o tempero da vida. Sem ele, tudo seria insosso, monótono, sem graça. A falência, com toda a dor que traz, é um desses momentos intensos, em que a vida nos cutuca e diz: "Ei, acorda! Ainda há muito por viver."
E há, de fato. Falir não é o fim do mundo. É, na pior das hipóteses, o fim de um mundo. Um mundo que, talvez, já não servia mais para você. Um mundo que, quem sabe, estava te limitando, te aprisionando, te impedindo de crescer. Falir é como quebrar as correntes que nos prendem a uma vida medíocre, a uma existência sem sentido. É a chance de recomeçar, de reinventar-se, de descobrir novas possibilidades.
Claro, não estou dizendo que falir é fácil. Não é. É doloroso, é humilhante, é desafiador. Mas é também libertador. É como dizia Camus: "No meio do inverno, aprendi que havia em mim um verão invencível." A falência é o inverno. E o verão? Ah, que delícia o verão, a gente mostrar o ombrin... a gente... (opa)... eita, o verão está logo ali, esperando que você tenha a coragem de atravessar o frio.
Então, caro leitor, se um dia você falir (e todos, de uma forma ou de outra, falimos em algum momento), não se desespere. Não se culpe. Não se ache um fracassado. Em vez disso, respire fundo, pegue uma arma, aponte para sua ca... para um alvo e vá praticar tiro, caso voce seja bolsonarists. Caso não, olhe para o abismo e dê uma boa risada. Sei, todo mundo vai achar que você é louco, entretanto "dizem que sou louco (...) mas louco é quem me diz" segundo nosso eterno filosofo Arnaldo Baptista. Porque falir não é o fim. O Galvão pediria para o Arnaldo César Coelho comentar, porém é apenas maiiiiis um capítuuuiulo na sua históriaaaaaa (ler esse trecho com a voz do locutor citado anteriormente). E quem sabe, o melhor ainda está por vir (ou não, sei lá).
Afinal, como diria Millor Fernandes: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." E falir, no fundo, é apenas um desses desencontros. Um desencontro necessário, talvez, para que um novo encontro possa acontecer.
E assim, sigamos aammiiggooo da Rede Gllooobboo (cala boca Galvão). Faliiiiindo, riiiiindo, aprendeeeendo, viveeeeeendo. Porrrrrque, no final das contas, aaaa viiiiida não é sobre nunca caiiiiiir. É sobre sempre levantar. Arnnnaaallldddooo César Coelho, quem sabe, dançar um pouco no meio do caminho? Vivvveee esssaaaa viiidddaaa Arnaldo! (Cara, nunca mais cito esse cara!)
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Fim. Ou seria o começo?
O jornalzinho diário está ficando bom 😍
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