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16 Anos de Holanda na cabeça e Ainda Não Me Acostumei com Esse Carnaval (Nem com o do Brasil) [por um Homem Nada Carnavalesco)

Música para mim é uma coisa sagrada . Nesse momento, nesse exato momento é  só Aaaallllaaafffff meus amigos. Aaaallllaaaffff e tenha paciência. Começou o Carnaval aqui. O que é alaaf? E eu sei lá? Falam isso a toda hora no Carnaval daqui e até hoje um faço a mínima ideia do que isso significa. E aliás, não vai ser hoje que eu vou procurar.

Ou vou explicar. Vou, antes que me dê dor na consciência. Vamos lá: o comprimento "alaaf" tem origem no Carnaval da região de Limburg (Países Baixos) e também é amplamente usado no Carnaval de Colônia, na Alemanha. Sua origem não é totalmente clara, mas acredita-se que venha do dialeto local (e tem um milhão deles numa região tão pequena) e tenha sido registrado pela primeira vez no século XIX.

Existem algumas teorias sobre sua etimologia:

Número 1. Pode derivar da expressão alemã antiga "all ab", significando algo como "tudo para cima" ou "tudo em frente".

Números 2. Outra teoria sugere que venha de um antigo brinde carnavalesco, indicando alegria e celebração.

Hoje, "Alaaf!" é uma saudação típica do Carnaval, especialmente em Limburg e na Renânia, e é usada para brindar e animar os foliões.
Bem, já  faz uns 16 anos que ouço essa palavra por aqui, mas até hoje não consigo me acostumar com o Carnaval do Limburg. Para ser sincero, nunca fui fã nem do Carnaval brasileiro. Sempre aproveitei a folga para viajar e fugir da muvuca, do suor e do batuque ensurdecedor. Mas aqui, a fuga não é tão simples.
Se no Brasil eu evitava o trio elétrico, na Holanda eu fujo do trompete. E do trombone. E da sanfona. Porque o Carnaval do Limburg não tem samba, não tem axé, não tem batucada. Tem polka. Muita polka. Ritmo frenético, melodia repetitiva e uma sensação constante de que estou preso em um episódio infinito de Os Teletubbies dirigindo um carro de palhaços.

Quando o Pretexto da Viagem Falha

No Brasil, sempre conseguia me esquivar do Carnaval. Bastava inventar uma viagem estratégica e pronto: paz garantida. Mas na Holanda, fugir do Carnaval do Limburg é mais complicado. Pelo fato de não gostar dessa festa, eu trabalho. E meus amigos Maastricht, Venlo, Heerlen — em fevereiro, tudo se transforma em uma explosão de cores berrantes e música ensurdecedora. Como se uma fanfarra inteira tivesse decidido ensaiar dentro da minha cabeça.

E o pior é que os holandeses do sul realmente amam essa bagunça. Gente de todas as idades se veste com roupas que parecem sobras de um brechó de fantasias, misturando cores que nem um designer daltônico aprovaria. E no meio dessa confusão, lá estão eles, pulando desajeitadamente ao som de uma música que sempre parece igual. Porque, de fato, é.
A Tragédia Sonora da Polka

A primeira vez que ouvi uma música de Carnaval limburguense, achei que fosse uma pegadinha. Mas não era. A polka reina absoluta, com aquele ritmo que parece feito para acompanhar um exército de soldados bêbados marchando na lama. Se no Brasil temos Mamãe Eu Quero, aqui temos "Er Staat Een Paard In De Gang" — uma música cujo título significa “Tem um Cavalo no Corredor”. E essa é uma das mais normais. Ou bandas como Rowwen Hèze com o hit "bestel maar" uma cópia descarada e sem graça de uma música mexicana, só que em 45 rpm. Eles até se apresentam em festivais como Pinkpop, no qual logo logo irei escrever sobre. Aguardem.

Mas, voltando ao assunto, não importa a faixa etária, todo mundo canta essas músicas com uma paixão inexplicável. E eu fico tentando entender como um povo tão racional no dia a dia se entrega com tanto fervor a canções que soam como hinos de um reality show sobre padeiros medievais.

O Jeito de Dançar: Um Caso Perdido

Se tem algo que o Carnaval limburguense prova, é que coordenação motora não é requisito para se divertir. Enquanto no Brasil o samba exige um gingado natural e o axé pede um rebolado convicto, aqui a dança é... um mistério. O movimento básico consiste em dar pequenos saltos enquanto se segura um copo de cerveja e se tenta (em vão) acompanhar o ritmo de uma banda que parece sempre prestes a desmoronar.

O resultado? Uma multidão de holandeses felizes, vestidos de girafa, coelho ou qualquer coisa aleatória, balançando os braços como se estivessem tentando afastar um enxame de abelhas imaginárias. E eu, depois de 16 anos, ainda sem entender o que está acontecendo.
Moral da História? Carnaval é Carnaval

No fim das contas, a verdade é uma só: Carnaval é Carnaval, não importa o país. É uma zona, é gente depressiva feliz se divertindo de um jeito que desafia a lógica. O depressivo sou eu? Bem, deixa eu ligar para o meu analista. Um momento, ops... deu ocupado!

Entretanto nunca gostei do Carnaval brasileiro, e continuo sem gostar do holandês, mas pelo menos aprendi uma coisa: se não dá para fugir, dá para rir. Eu tento... e ainda tem show de "stand up comedie" em dialeto. 

Isso é tortura, pelo fato de ser sem graça. Nem que seja de mim mesmo, preso nesse limbo entre um samba que nunca me conquistou e uma polka que nunca me deixará em paz, mesmo. Opa, a secretária do analista atendeu. E advinha? Ele também está brincando Carnaval e só atende semana que vem 👍 


Reacties

  1. Excellent. I hate carnival as well. Just to watch - in Brazil or Holland I start to feel - a mixture of sad and angry. But still it's important for those who rules , give to Rome or Rio de Janeiro pannen et circenses.

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