Havia uma vez em um reino distante, um homem chamado Sofóctates, autoproclamado detentor de todas as verdades e sabedorias. Com sua biblioteca vasta e verborreia ainda mais vasta, ele andava pelas ruas, pronto para iluminar a todos com seu conhecimento enciclopédico.
"Ah, bom dia, Sofócrates!" dizia o padeiro da esquina, apenas para ouvir uma dissertação sobre a filosofia de Platão e a inutilidade do pão em comparação ao alimento da alma. "O corpo pode perecer, mas o intelecto é eterno," proclamava o suposto filósofo enquanto o padeiro revirava os olhos e voltava a amassar a massa.
Uma manhã, ao encontrar a jovem Dionisia, uma estudante e estagiária de um escritório de contabilidade de inteligência afiada e palavras mais afiadas ainda, Sofócrates decidiu demonstrar sua erudição sobre a sofomania. "Dionisia, minha cara," começou ele com um tom professoral, "você sabe o que é um sofomaníaco? É aquele que, como eu, possui uma sapiência inigualável."
A estudante, sem perder a compostura, respondeu: "Sapiência inigualável, ou ego ininflado, Sofócrates?"
O nosso filósofo de plantão e de Platão, não se deixando abalar, continuou: "A sofomania é a condição sublime de quem se dedica ao conhecimento puro, um farol em meio à escuridão da ignorância."
Dionisia, com um sorriso sarcástico, retrucou: "Farol? Parece mais uma lamparina de querosene, apagada pelo vento do senso comum. Ou uma lanterna comprada em uma loja de R$ 1,99 que apaga do nada. Pois veja, Sofócrates, o verdadeiro sábio reconhece a vastidão de sua ignorância, enquanto o sofomaníaco se perde em seu labirinto de palavras vazias."
"Ora, minha linda estudantinha de esquerda metida a intelectualóide," disse ele, irritado, "você, uma simples estagiária, ousa contestar minha erudição?"
"Não contestar, meu senhor, apenas revelar que a sofomania é a máscara de quem tem medo do silêncio do próprio pensamento. Filosofia não é sobre encher a cabeça de ideias, mas sobre esvaziar o ego para aprender."
Sofócrates, sem palavras, percebeu que, em sua busca por sabedoria, havia se transformado em um palhaço, num Bozo (entenderam o trocadilho?) de seu próprio circo de vaidade. Nossa estagiária, satisfeita, voltou ao trabalho, enquanto nosso tonto se retirava, finalmente em silêncio, para refletir sobre a verdadeira essência da sabedoria. Mas antes tentou gritar, manda ela para aquele lugar etc etc. Entretanto dessa vez ele conseguiu se ver no espelho e viu o quanto idiota era.
E assim, caro leitor, fica a lição: o sofomaníaco, com toda sua pretensa sapiência, nada mais é do que um tolo perdido em seu próprio orgulho. Como dizia Voltaire, "O segredo de aborrecer é dizer tudo," e o segredo de parecer sábio é saber quando calar.
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