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A Frieza das Telas e o Calor das Palavras: Como as Big Techs Transformaram Nossas Conversas em Algoritmos (por Fred Ilek)

Há algo de profundamente irônico em como a tecnologia, que prometia nos conectar, acabou nos isolando. Lembram-se daquela época em que uma conversa era um evento? Não um evento digital, com emojis e gifs, mas um encontro de carne, osso e palavras ditas em voz alta, com risadas que ecoavam e silêncios que não precisavam ser preenchidos com uma mensagem de texto. Pois é, parece que a natureza humana, aquela que nos faz buscar o olho no olho, o aperto de mão, o abraço desajeitado, foi sequestrada pelas big techs e transformada em algo frio, impessoal e, pior, rentável.  
As redes sociais, essas praças virtuais onde todos gritam e ninguém escuta, são o exemplo perfeito de como a tecnologia nos afastou da essência do que é ser humano. O Facebook, o Instagram, o X (antes Twitter, mas vamos fingir que o rebranding faz sentido) e companhia limitada nos deram a ilusão de conexão. Postamos, curtimos, compartilhamos, mas quantas vezes realmente nos sentimos conectados? A verdade é que essas plataformas nos transformaram em produtores de conteúdo involuntários, alimentando algoritmos que sabem mais sobre nossos desejos e medos do que nossos melhores amigos.  

E o que dizer dos algoritmos? Esses seres invisíveis que decidem o que vemos, o que lemos e, por consequência, o que pensamos. Eles são os verdadeiros editores do nosso mundo digital, escolhendo quais amizades merecem ser relembradas (obrigado, Facebook, por me mostrar uma foto de 2012 com alguém que não falo há anos) e quais notícias merecem nossa atenção (spoiler: geralmente são as mais polêmicas, as mais raivosas, as que nos deixam com aquele gosto amargo de indignação).  
Mas o mais curioso é como essa dinâmica afetou nossa capacidade de conversar. Antes, uma discussão era um diálogo, uma troca de ideias que podia terminar em concordância, em discordância ou, na pior das hipóteses, em um "concordemos em discordar". Hoje, uma discussão é um campo de batalha onde os argumentos são tiros e os likes são os troféus. A frieza das telas nos permitiu esquecer que do outro lado há uma pessoa, com sentimentos, opiniões e, pasmem, uma vida offline.  

E assim caminha a humanidade, cada vez mais conectada digitalmente e cada vez mais desconectada humanamente. As big techs, é claro, lucram com isso. Quanto mais tempo passamos nas redes, mais dados geramos, e mais dinheiro elas faturam. É um ciclo vicioso: nós, os usuários, somos ao mesmo tempo o produto e o consumidor, presos em uma rede que nos promete liberdade mas nos entrega controle.  

Mas nem tudo está perdido. Ainda há esperança naquilo que nos torna humanos: a capacidade de olhar nos olhos, de ouvir sem interromper, de abraçar sem medo de parecer sentimental. A tecnologia pode ter nos tornado frios, mas ainda carregamos dentro de nós o calor das conversas de boteco, das risadas compartilhadas, dos silêncios que não precisam de Wi-Fi para fazer sentido.  

Talvez a solução seja simples: desligar o celular, sair de casa e conversar com alguém. Cara a cara. Sem filtros, sem algoritmos, sem intermediários. Porque, no fim das contas, nada substitui o calor de uma boa conversa. E se as big techs não gostarem disso, paciência. Elas que aprendam a lidar com o offline. Afinal, a vida acontece aqui, do lado de fora das telas.

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