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Posts uit mei, 2025 tonen

Versión española: El mundo en blanco, negro y Salgado [por un gran admirador de este gran hombre]

Uno más dentro de unas semanas. Primero el gran Pepe Mujica y ahora una de mis mayores inspiraciones: ¡Sébastião Salgado!  Sí, queridos lectores, de vez en cuando fallece alguien que parece llevarse consigo un pedazo del mundo. Tião, como le llamaba su gran amigo Cristiano Mascaro, era una de esas personas. Cuando me enteré de la noticia, me di cuenta de que una parte de mí -la que creía en la capacidad de la fotografía para influir en el mundo- apagaba las máquinas, recogía y tiraba los productos químicos, apagaba la luz roja y cerraba el laboratorio de revelado.  Cuando empecé mi andadura en la fotografía en el año 2000, creía que el equipo era lo más importante. Me compré una cámara que pertenecía a mi padre y luego mi cuñado me regaló una Nikon F4 (y vaya regalo). Con estas dos cámaras me sentía como si fuera el propio fotógrafo de Magnum, ni siquiera asociado a la empresa. Jugaba a ser Sebastião Salgado o Josef Koudelka.  Sin emba...

O mundo em preto, branco e Salgado [por um grande fã desse grande homem]

Mais um em poucas semanas. Primeiro o grande Pepe Mujica e agora uma das minhas maiores inspirações: Sebastião Salgado!  Sim, meus caros leitores, de tempos em tempos ocorre o falecimento de alguém que parece levar consigo um pedaço do mundo. Tião, como era chamado pelo seu grande amigo Cristiano Mascaro, foi um desses indivíduos. Ao receber a notícia, percebi que uma parte de mim - aquela que acreditava na capacidade da fotografia de impactar o mundo - desligou as máquinas, recolheu e jogou fora as químicas, apagou a luz vermelha e fechou o laboratório de revelação!  Quando iniciei minha jornada na fotografia, em 2000, acreditava que o equipamento era o mais importante. Adquiri uma câmera que era do meu pai e depois ganhei uma Nikon F4 de presente (e que presentão) do meu cunhado. Com essas duas câmeras me sentia o próprio fotógrafo da magnum, sendo nem associado a empresa. Brincava de ser Sebastião Salgado ou Josef Koudelka.  No ent...

Wim Kok: de sindicalista a Primeiro Ministro da Holanda [por Frederico Ilek]

Em tempos de colapso das utopias e pragmatismo de planilha, parece quase subversivo lembrar que, por oito anos, um ex-sindicalista comandou uma das economias mais eficientes da Europa. Wim Kok, primeiro-ministro dos Países Baixos entre 1994 e 2002, era um homem de voz calma, rosto retangular e ideias que, embora forjadas no chão de fábrica e nos corredores dos sindicatos, não causavam arrepios em banqueiros, CEOs ou tecnocratas de Bruxelas. No Brasil, onde a palavra “sindicalista” costuma disparar alertas no mercado financeiro, a ascensão de alguém como Kok pareceria um roteiro de sátira política. Mas na Holanda dos anos 90, isso foi apenas... sensato. Filho de um carteiro e educado na prestigiosa Nyenrode Business Universiteit — uma escola privada voltada à elite empresarial — Kok liderou, nos anos 80, a poderosa Federação dos Sindicatos Holandeses (FNV). Foi peça-chave no Acordo de Wassenaar, em 1982, que selou uma aliança entre sindicatos e empre...

Versión española - Pepe Mujica: el hombre que gobernó con flores en los bolsillos [por Frederico Ileck]

José "Pepe" Mujica ha muerto, pero lo más importante no muere con él: su ejemplo. Pepe fue guerrillero, preso político durante más de una década (siete de ellos en completo aislamiento), senador, presidente y, sobre todo, un hombre libre. Cuando llegó al poder en Uruguay, no quiso lujos, coches ni palacios: siguió viviendo en su sencilla granja, conduciendo su pequeño escarabajo y cuidando sus flores con su compañera de vida, Lucía Topolansky. Como si dijera con cada gesto: "El mundo puede ser distinto si tenemos el coraje de vivir distinto".  Mujica no era un político tradicional: era un filósofo descalzo. Y por eso conmovió a tanta gente. Mientras los líderes de todo el mundo se perdían en discursos floridos o eslóganes vacíos, Pepe hablaba de amor, humildad y consumo responsable. Habló de las cosas conmovedoras, no de las convenientes. En el Congreso de la ONU, uno de sus discursos más famosos fue una bofetada a la civilización...

Pepe Mujica: o homem que governava com flores nos bolsos [por Frederico Ileck]

José “Pepe” Mujica morreu — mas com ele não morre o que mais importava: seu exemplo. Pepe foi guerrilheiro, prisioneiro político por mais de uma década (sete anos deles em completo isolamento), senador, presidente e, acima de tudo, um homem livre. Quando chegou ao poder no Uruguai, não quis luxo, nem carrões, nem palácios: seguiu morando na chácara simples, dirigindo seu fusquinha e cuidando das flores com a companheira de vida, Lucía Topolansky. Como se dissesse, a cada gesto: “O mundo pode ser outro, se a gente tiver coragem de viver diferente.”  Mujica não foi um político tradicional  — foi um filósofo dos pés descalços. E é por isso que tocou tanta gente. Enquanto líderes ao redor do planeta se perdiam em discursos empolados ou slogans vazios, Pepe falava de amor, de humildade, de consumo responsável. Falava das coisas comoventes, não das convenientes. No Congresso da ONU, um dos seus discursos mais célebres foi um tapa na cara da civili...

América Invertida: A Virada de Olhar que a América Latina [por Frederico Ileck]

Precisa Reflexões sobre identidade, ancestralidade indígena e a descolonização do olhar latino-americano a partir da obra de Joaquín Torres-García.  Obra " América Invertida ", de Joaquín Torres-García, 1943 Recentemente, fiz um teste de DNA e descobri algo que mexeu profundamente comigo: 4,5% do meu sangue é indígena. Parte dessa herança vem do norte da América do Sul (Venezuela, Colombia e Equador), outra parte do Chile. E no meio desses percentuais, de dados frios e distantes, existe uma mulher cuja presença ainda ecoa, mesmo que o silêncio tenha tentado apagá-la: minha bisavó, Dona Maria Ursula Andrade . Uma gigante silenciada pela história da minha família. Uma mulher invisível aos olhos dos que preferiram contar outras versões da nossa origem. Pois é a ela que eu dedico este texto. Durante muito tempo, minha família insistiu em uma identidade que não nos pertencia. Repetia-se, quase como mantra, que nossa origem era italiana, europeia, como se isso n...