Mujica não foi um político tradicional
— foi um filósofo dos pés descalços. E é por isso que tocou tanta gente. Enquanto líderes ao redor do planeta se perdiam em discursos empolados ou slogans vazios, Pepe falava de amor, de humildade, de consumo responsável. Falava das coisas comoventes, não das convenientes.
No Congresso da ONU, um dos seus discursos mais célebres foi um tapa na cara da civilização moderna. Disse que o problema do mundo não era ecológico, era político e cultural. Que não podíamos continuar vendendo a alma para comprar o supérfluo. E disse isso não como um radical, mas como alguém que já viu a morte de perto e escolheu flores ao invés de ódio.
Pepe representou uma América Latina que resiste sem perder a ternura. Um continente marcado por feridas, mas onde ainda florescem gestos como o dele. Um presidente que doava 90% do seu salário e dizia que "quem vive com pouco é mais livre". E é impossível não falar também do Uruguai — essa faixa de terra miúda espremida entre gigantes. Tão pequeno que às vezes esquecem de mencioná-lo, mas tão intenso que vive em nossas cabeças como um segredo bom. Um país que já deu ao mundo escritores como Mario Benedetti e Eduardo Galeano, músicos que embalam revoluções, cineastas que nos tiram do eixo.
Até mesmo no futebol, essa arte que transborda identidade, ousaram ser campeões do mundo duas vezes. Porque às vezes a grandeza não depende do tamanho, mas da coragem com que se vive — e disso o Uruguai entende (Uruguay noma!).
A morte de Mujica é, sim, uma perda gigante. Mas sua vida — ah, sua vida — é uma herança que nenhuma lápide enterra. Fica o seu exemplo plantado em nós, como semente que não sabe morrer. Porque Pepe era, e continuará sendo, um tipo raro de música: aquela que não se escuta apenas com os ouvidos, mas com o coração inteiro.Que o mundo não esqueça de Pepe Mujica. Que o mundo não esqueça que é possível ser poder e ainda assim ser povo.
Gracias Bo!
Gracias por tudo Che 👍
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