Dizem que a inteligência artificial é previsível. E, no fundo, não deixa de ser verdade. São treinadas em padrões, estatísticas, correlações — um grande eco do que já foi dito, pensado, escrito. Sua "criatividade" é uma soma de possibilidades calculadas. É um improviso que não improvisa, uma jam session sem jazz. Tudo junto e misturado, só que ordenado com metas, cálculos e ambições, claro. Como é que seus criadores vão ganhar o pão nosso de cada dia?
Byung-Chul Han, sempre ele, diria que aqui se revela o cansaço da transparência: tudo já foi previsto, tudo se torna dado, informação digerível. A imprevisibilidade do gênio — o drible de Pelé que nunca ninguém ousou imaginar, o arremesso impossível de Jordan no último segundo — não cabe nela. Ela gera o "provável", mas não o "impossível". Falando em Pelé, uma IA conseguiria copiar ou prever o quarto gol do Brasil contra a Itália na final da copa de 70? Aquilo foi uma obra de arte e não um gol.
Já Theodore Adorno já denunciava a indústria cultural: padronização, repetição, fórmulas prontas. Talvez ela seja apenas a versão 5G dessa crítica — um maquinário que embala respostas como produtos numa prateleira infinita, disfarçados de novidade. O Olavo de Carvalho diria que é culpa do Marxismo Cultural. Aí é que tá... seria a IA tão imbecil de criar um termo que nunca existiu? O Olavão fez o que nenhum computador faria. Criou uma doideira sem sentido no qual quase todos pseudo intelectual acredita que existe. Por isso chamo a obra do autor de o "fino da bosta" ou o "obrar nas suas profundezas". Mas isso não vem ao caso.
Giles Deleuze falava de sociedades de controle, onde fluxos e algoritmos ditam o ritmo da vida. Algoritmo, quem é esse vilão? Seria ele o novo Grande Irmão ou Grandíssimo pra lá de Irmão? Seria senão o controle suave da linguagem ou aquela patolada nas partes íntimas sem você perceber? Viajei? Vou tentar explicar... funciona como uma espécie de guarda invisível: não xinga, não arrisca o absurdo, evito o "erro". Aí é que tá — mas é justamente aí que reside a genialidade humana, no tropeço, no improviso, no escorregão que vira dança.
Porém dá tudo de bandeja aos humanos. Olha a doideira... faz uma bandeja tipo Michael Jordan, mas não entende a genialidade do atleta? Bem, acho que abusei um pouco do vinho. Já to viajando demais da conta. Tá ai... a IA não entende o que é estar bêbado, não é? *hhhiicc
E Baudrillard riria de tudo isso, e como. Quem é Baudrillard? Meu vizinho? Não, só sei que foi um cara bem chato. Ele achava que o computador é um simulacro que tenta encenar profundidade. Da voltas em conceitos, mas no fundo não vive o mundo. Nem faz ideia do que ele é. Ele sabe explicar, mas não sente na pele. Fala de Pelé, mas nunca sentirá o arrepio de vê-lo driblar três ao mesmo tempo. Pode citar Jordan, mas não sabe o que é a vertigem de um estádio que prende a respiração antes de um arremesso. Ou pior... dele passar a bola ao croata Tony Kukoc finalizar de três pontos. Aquilo foi de arrepiar. O que o senhor acha dona IA? Lindo, responderia. Daí perguntaria: quer que eu define conceitos de beleza e faça uma tabela estatística das probabilidades de outro jogador do leste europeu acertar um jogada dessas de novo? Minha reposta: NÃO!
No fim, talvez seja mais previsível que previsões. Esse sistema entrega o que parece coerente, entretanto raramente o que rompe com a lógica. É um espelho educado. E é nesse contraste que os seres humanos seguem sendo insubstituíveis: porque a grandeza não é só dizer o que "faz sentido", porém arriscar o que parecia impossível. Imaginar ou tentar fazer algo que não tem lógica ou é impossível. O IA não ousa. Nós sim.. ousamos e muito. Agora, Sena era ousado... e morreu por causa disso. Alguém conseguiria explicar a ele qual era o significado da palavra perder?
Na minha humilde e sincera conclusão, a inteligência artificial é previsível, e como!! Ela não encurtaria a barra de direção de um carro de F1. De jeito nenhum. Ela faria um cálculo e chegaria a conclusão de que isso poderia causar um acidente fatal. Será que o Sena sabia disso? Não, pois deus não falou a ele, como afirmaria Alan Prost.
Cara, talvez a previsibilidade seja justamente o espaço em que a imprevisibilidade humana se revele com mais força. Um exemplo: um sábado qualquer, numa fila de cinema, você está sozinho e começa a conversar com alguém. Essa pessoa vai com a sua cara e passa um final de semana inteiro com você, sem pestanejar! Então, se esse alguém fosse uma IA seria previsível. Chato pacas. Voltando ao analógico e pensando numa perspectiva mais abrangente, se pessoa fosse uma mina bacana, cara... não há palavras que descrevam isso. E te juro, um computador não entende xongas dessa sensação.
Computador é cálculo. Segundo Millôr Fernandes, ele não pensa. Você, cidadão que está lendo essa coluna desse calmo, destemido, contraditório e confuso blogger... VOCÊ É O IMPREVISÍVEL.
Gosto de fazer um parâmetro. Ele é simples. Existe o mundo analógico e o digital. Não podemos pensar meio que preto no branco. Tem que existir um equilíbrio, pô. Consulte seu lado analógico. Vamos lá, livros, revistas, álbuns de fotografia, seus pais, aquela tia que não para de falar, aquela amiga que tu sai no final de semana para saciar seus desejos carn... ops... Aquela guria, entende? Ela também é fonte de informação. Aquele amigo que bebe como um gamba e, no final da noite vocês estão até vocês discutindo o tratado de paz entre Russia e Ucrânia e, na sequência, tentando achar lógica na teoria da relatividade e fazendo uma junção entre as duas coisas, claro.
O digital também, não vamos ignorá-lo. Há um montão de gente nele. Ou não. Será que já estamos travando diálogos com robôs? Eu tenho a absoluta certeza que ja há figuras como Theodore, o homem que se apaixonou por um IA no filme Her. Alias caro leitor... que filme. Seria Theodore um oposto de Adorno? Será que nosso sisudo e incrédulos filósofo soube o que é amar? Fica ai a pergunta. Acho que nem um médium espírita conseguiria responder a essa questão. Ou conseguiria? No improviso sim. Ouvindo as vozes da cabeça e não ao filósofo, claro!
Cabe a nós humanos DESMISTIFICAR a IA.
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