Era uma vez um mito de barro, esculpido com a destreza de um coice equino e a perspicácia estratégica de um pombo enxadrista. Jair Messias Bolsonaro, um parlamentar do baixo clero, cuja mais notável contribuição para a política nacional foi demonstrar, ao longo de 28 anos, que um indivíduo pode ocupar uma cadeira sem jamais ocupar um pensamento.
Antes de ascender à presidência, Bolsonaro já exibia sinais de sua genialidade incompreendida: comparecia a programas de auditório defendendo a ditadura com a eloquência de um ébrio na fila do INSS e propunha soluções brilhantes para o país, como distribuir metralhadoras a crianças e transformar a educação em um curso intensivo de tiro ao alvo.
Mas, como toda tragédia começa com um equívoco, o Brasil, em sua infinita criatividade, resolveu colocar a piada em prática e elegê-lo presidente. Foi então que o mito se transmutou em meme, e o governo se converteu em uma interminável briga de taverna, só que com orçamento bilionário e transmissão ao vivo.
Ah, o início do ocaso de Jair Bolsonaro, uma tragédia (ou comédia?) digna de um roteiro tragicômico. Tudo começou com nosso herói de baixo clero, um político que parecia ter emergido diretamente de um programa de auditório dos anos 2000, onde sua maior habilidade era gerar polêmicas tão profundas quanto um pires. Ele era aquele tipo de figura que deixava o público em dúvida entre o riso e o pranto, mas que, de alguma forma, conseguiu ascender ao ápice do poder – ou, ao menos, a uma cadeira confortável no Palácio do Planalto.
Mas, como reza o adágio, quanto mais alto o voo, mais dura a queda. E que queda! O princípio do fim sobreveio em uma entrevista tão infeliz que até os mais ardorosos partidários devem ter sentido um calafrio. Leo Dias, o jornalista que já entrevistou de tudo, desde celebridades em crise até astros do funk, a ex-bela Viviane Araújo, recebeu Bolsonaro em seu canal no YouTube. E ali, diante das câmeras, o ex-presidente desfilou suas pérolas de sabedoria com a sutileza de um elefante em uma loja de cristais. Foi um espetáculo de frases desconexas, justificativas esfarrapadas e uma tentativa patética de se manter relevante. "O senhor assistiu 'Ainda estou aqui?' do Walter Salles", perguntou o jornalista. "Sim, e deveria começar o filme comigo", respondeu o nosso futuro presidiário. Nesse momento explodi em gargalhadas, mesmo ainda não assistindo o filme, no qual NÃO É UMA COMÉDIA! (Digo isso em respeito a Rubens Paiva e familiares, caso leiam esse artigo) .
https://www.youtube.com/live/aH8PLUh6dqw?si=Ou2DOR2wMWsvEVyb
a entrevista está aqui meus caros amigos. O homem parece querer soltar uma bufa na entrevista inteira. Olha a pose do cidadão!
Meus caros até mesmo o Leo Dias desde o início não o levou a sério, mesmo. E o jornalista, que já viu de tudo, deve ter ponderado: "O que este homem ingeriu? Não seria eu o ébrio?" Não meu querido, isso era o normal desse cidadão.
O início do fim se desenrolou nesse episódio. De chipes hormonais até mentiras desmentidas em frações de segundo pelo profissional. Coisa que ninguém havia feito. O nosso ex-presidente esta nu. Primeiro, sua reeleição frustrada, pois, ao que parece, nem a urna eletrônica – aquela "fraudulenta" – quis mais contar com ele. Depois, o exílio nada heroico nos Estados Unidos (no qual conhece a constituição deles e não a nossa, porém blefar é uma arte, claro!), onde trocou a faixa presidencial por um balde de frango frito. E, por fim, no desenrolar da entrevista épica para o jornalista blogueiro, onde Bolsonaro, com a perspicácia de uma conserva informal de boteco, revelou detalhes que um criminoso com o mínimo de QI guardaria para a audiência com o juiz ou se lá se esse cidadão sabe o que é isso?
E aí veio uma teoria na minha cabeça. Sempre discutida na faculdade. Se liga, como a gente em Santos, se um político polêmico desse entrevista a um repórter sério ele teria uma postura de um estadista, mesmo não sendo um. Se fosse a um programa de auditório mais povão ou a um Amaury Junior da vida, falaria pelo cotovelos ou sem papas na língua, como se estivesse falando com um amigo próximo. Achei que de uma hora para outra Leo diria: "escuta aqui meu irmão.. cê tá querendo enganar quem?"
E então, como num roteiro previsível de novela das nove continuou por duas horas e 15 minutos. E ai o possivel xeque-mate: a prisão. Isso, a prisão! A justiça, aquela senhora que às vezes tarda, mas nunca falha, decidiu que esta chegando a hora de dar um tempo ao nosso protagonista. E vai ter festa... e como! E lá se irá ele, de paletó e gravata, para um novo endereço: a Papuda. Sim, a Papuda te espera ha ha ha ha (sorriso sem graça de um vilão de baixo clero).
Ironia das ironias, o homem que prometia erradicar a bandidagem acabou conhecendo o sistema por dentro – e não como visitante ilustre. Não seria uma estratégia dele para melhorar o sistema carcerário? Sabemos que gênio é jênio, caros leitores. O príncipe dos olhos azuis de Glicerio nunca erra. Lembram: "Bolsonaro tem razão!" Vamos já abrir uma Pepsi e comemorar com o Olavão!
E assim, com uma mescla de sarcasmo e melancolia, testemunhamos o desfecho de uma carreira que começou nos programas de auditório e terminou atrás das grades. Bolsonaro, o político que parecia imune às leis da física (e da política), descobriu que até os mais altos voos têm um limite. Seu paraquedas agora falhou e ele se esborrachou no chão. Ele não bateu em um prédio e quebrou as pernas (sim, isso aconteceu de verdade quando nosso recruta Zero era paraquedista). E sim, meu caro leitor, a gravidade sempre vence. Resta saber se ele ainda terá tempo para redigir um livro na prisão. Quem sabe um best-seller: "Do Palácio ao Xadrez: Minha Queda em 24 Capítulos". O número de capítulos seria para homenagear os LGBTQ, claro. Que ele tanto ama e tem obsessão.
E assim, nosso herói populista, que vociferava contra o sistema, descobrirá que sistema mesmo é a tornozeleira eletrônica. Repousará confortavelmente no xilindró, onde pode finalmente vai ministrar palestras sobre armas, teorias da conspiração, fake news, Super Pop e CQC.
Ah, Jairzinho Me Enganaste, o político que começou como um figurante de novela B e terminou como protagonista de um drama tragicômico. Imagine o jovem Bozo, um deputado de baixo clero, perambulando pelos corredores do Congresso como um figurante em busca de um papel de destaque. E conseguiu e com sucesso. A "live" de Leo Dias teve 750 mil expectadores!
SUUUCCCEESSSOOOO (Raaattiinnhoo rraattiinnhhoo). Sua participação nesse programa foi um espetáculo à parte, dignas de um prêmio de consolação em um concurso de talentos de quinta categoria. O desfecho foi simplesmente um luxo, claro. Leo pergunta a queima roupa quem será seu sucessor o nosso futuro Papuda ou papudo repondeu "NÃO, só se eu morre". E falando em morte nosso camarada ainda comentou se for preso irá falecer na prisão. Ele tá deixando a gente sonhar?
E então, o início do fim já deu início. A entrevista com o jornalista Leo Dias está no YouTube. Corre lá. Duas horas e quase meia de puro humor e amor a quem quer ele na cadeia. Quanta sutileza. Sim, a de um elefante em uma loja de cristais. Conseguiu transformar uma simples conversa em um dos memes mais longos da história da Internet. Com frases como "Eu li a constituição norte americana" ou "sou brochável mas coloquei um chip pra dar uma ajuda, Claro. Tô com 69 anos". Sim, meu ilustre leitor, pedir meu precioso tempo para dizer a vocês que esse vídeo não é daqueles vídeos de dez horas repetidas de algo. Esse é mais dinâmico. Um desastre, que esta fazendo a gente sonhar mais e mais.
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