“Bem, precisamos de um
carro”, foi o que eu disse quando simplesmente
percebi que meus dez anos de Holanda foi apenas em cima de uma
bicicleta e indo de um lado para o outro sem queimar CO2 pela cidade.
Pelo
fato de ter sido gerente e dono de uma empresa de “bike-messenger”
resolvi levar a proposta a ferro e fogo. Um dia recebi uma
brincadeira de um amigo que enviou a evolução da família de uma
ciclista. Eram cinco figuras. Tudo começava com o casal, depois um
filho, segundo filho. Então aparecia um gato e ai vinha o carro.
Nessa brincadeira resolvi voltar a pensar em um automóvel, uma das
minhas paixões de infância..
Entrei em
contato com uma auto-escola e resolvi iniciar o processo que havia
feito aos 20 anos de idade no Brasil. Cheguei a comentar com uns
amigos e eles logo me responderam que além de caro haviam muitas
regras para decorar. Não me preocupei até o dia que entrei no carro
e resolvi encarar o transito holandes.
Há
alguns anos, numa promoção
via facebook, resolvi
testar o como eu estava no volante. O processo foi rápido. E-mail
enviado no outro dia estava o
instrutor estava na
porta de casa.
Entrei no veículo e revolvi dar um giro pela cidade. O
instrutor perguntava apenas de onde eu vinha e tentava tirar algumas
informções durante o percurso. Ia
respondendo enquanto dirigia. No final de quase uma hora de aula veio
o resultado. “O senhor dirige muito mal”, comentou com uma
voz calma e sem nenhuma
magoa alegando que eu deveria fazer o
pacote completo de aulas. Meu ego de super
piloto não aceitou esse comentário. Por isso resolvi continuar as
minhas pedaladas nos Paises Baixos.
Sempre
foi fã de carros. Na minha infância adorava decorar o nome de todos
que passavam na minha frente. Sabia de cabeça praticamente todos os
classicos dos anos 70 e 80. Os carros
americanos eram os meus favoritos. Maveric, Landal, Dodge entre
outros. Meu pai teve vários fuscas, Brasilias, Corsel e um Dodge
Polara, o meu favoritos.
Na
época em que o presidente declarou que no Brasil só havia carroças,
andava de
bicicleta de um lado para o outro.
A cidade de
Santos, São Paulo, é
plana e com poquissimas ladeiras. Não há sobe
desce, apenas em alguns pontos da cidade. Dava para ir e vir ao
cinema, clube, faculdade basimente tudo de “magrela” ou
“camelo” como é carinhosamente chamada
na giria do local.
Nos
meus 20 anos veio a tão sonhada carteira
de motorista. Não morava mais no Litoral
Paulista e sim em São José do Rio Preto,
interior do estado de
São Paulo. Essa cidade é conhecida pela suas grande ladeiras. Andar
de bicileta era quase impossível. Comprei
uma “Mountain Bike” para tentar encarar as ruas da cidade. O
problema não era só isso. No verão o sol queimava o asfalto e dava
a sensação de que estavamos pedalando dentro de uma panela. “To
cozido hoje”, era uma das frases mais ouvidas nas ruas da cidade.
Das duas rodas da minha mountain bike tentei passar para as quatro de
um Santana Quantum.
O
caos do trânsito de Rio Preto é terrivel. Conhecida
no inteiror como um dos piores transitos da região, as
ruas eram um ponto de stress a cada esquina. Então imagine como era
o professor da auto-escola. Bingo! Se imaginou uma pessoa sem
paciência e que não explicava nada direito pelo fato de ter que
prestar atenção em dobro no transito e em você acertou em cheio.
Em alguns erros chegava a ver o joelho dele
quase batendo em seu próprio queixo ao enfiar o pé no freio.
“Presta atenção, aqui é um cruzamento perigoso”, gritava
tentando explicar a loucura que era o transito da cidade. Nesse pé
foram infinitas 20 aulas atrás do volante.
Nessas condições fui para a prova teórica e pratica. Na teorica
nada de surpresas. Foi fácil, até demais.
Depois de um tempo a tão sonhada carta de
motorista veio as mãos.
Não usava
o carro todos os dias. Evitava ao máximo. Pegava no volante as vezes
para impressionar uma garota, ir em um amigo e outra vez para um
curso e assim por diante. O drama era estacionar o carro e pagar as
infinitas zonas azul do centro da cidade. Por isso, de uma hora para
outra, optei pelo dito transporte alternativo. “Ando todo dia de
Mercedez e com chofer”, ironizava toda vez que alguém me
perguntava se eu pegar um ônibus.
Agora essa
saga está com os dias contados. Entrei em contato com outra
auto-escola e rever o processo que havia passado ha vinte e quatro
anos. Nas primeiras aulas não me surpreendi. A instrutora falou o
mesmo do anterior. “Sou um mal motorista e agora?”, pensei comigo
mesmo. “A solução é treinar e ler a parte teórica, Só isso”,
comentou com muita calma.
Encomendei
o livro e então veio a minha maior surpresa. Quase 200 páginas de
regras sendo com um texto bastante técnico. Das plaquinhas e
regrinhas básica brasileiras para regras de direção quase
ortodoxas em uma país tão pequeno. Junto ao livro veio a opção de
um app simulando a prova teorica. Achei que eu era ruim apenas atrás
no volante. Resolvi conversar com uma amiga argentina e ela me
emprestou o livro que estudou com algumas anotações em espanhol.
Quase todos
a semana estudo alguns trechos do livro e faço os simulados. Na
bicicleta vejo o como os motoristas guiam. As vezes me surpreendo com
alguns erros. Rotatórias são os piores lugares. Placa a cada 50
metros em toda a cidade. Parece até um outro tipo de idioma
pendurado em cada esquina.
O processo
ainda não terminou. Estou encaminhando para metade dele. Até agora
o drama do início terminou. De um motorista pessimo estou agora em
um razoável, segundo a instrutora.
Em todo
esse processo vejo muitos lados positivos: ganhei mais vocabulário
técnico em holandês, melhorei meu espanhol, vejo agora educação
no trânsito, ciclistas devem ficar a um metro e meio de um veículo
parado ou em movimento e BMW e Mercedez são carros sensacionais para
guiar (sim, todas as auto-escolas daqui tem esse tipo de carro).Na bicicleta me sentia sentado no trono de um imperador. Todos paravam para mim, sem excessões. Ia de trem, chegava no local e transitava sem nenhum problema nas ruas. Dentro do carro as regras são outras. Pedestres e ciclistas tem sempre a prioridade. Estacionamento? Há garagens em todas as grandes cidades e alguns deixam o carro estacionado em um local e tiram uma bicicleta dobravel do porta-malas.
Na cidade
dos pedais as quatro rodas as vezes são necessárias. As vias são
bem pavimentadas, o seguro é obrigatório, os carros tem preço
assessíveis e as multas são de tirar os olhos da cara. Já estou no
processo e já tenho em mente em deixar o meu carro na garagem e
continuar pedalando de um lado para outro, como todo cidadão
holandês costuma fazer.


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