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Posts uit juli, 2025 tonen

As Armadilhas das Bets: Jovens, Apostas e as Ilusões do Dinheiro Fácil [por Frederico Ileck]

Em um armazém de uma loja de móveis em Heerlen, no sul da Holanda, dois colegas começam a trocar frustrações. Achei que era uma namorada ou o cachorro que havia comido a lição de casa deles, mas não. Porém lembrei que havia algo inusitado entre os dois e já haviamos conversado antes sobre o assunto com um deles. O Real Madrid havia perdido para o Barcelona no dia anterior. Para mim nada demais. Para eles haviam os seguintes comentários: "Se o Yamal chutasse três vezes ao gol, ganhava cem euros. Se o Vini Jr marcasse um gol, virava 500. E se fosse de cabeça, a aposta dobrava!", lamentavam. Um deles ri, meio conformado: "Coloquei cinquenta euros achando que era certo... perdi tudo". Eles não tinham comentado comigo dias antes, mas agora revelavam que haviam ignorado meu conselho de não colocar dinheiro em apostas.  Uma semana depois, o destino deu aquele drible da vaca: um deles ganhou dois mil euros com um palpite improvável. O out...

As máquinas ainda nos amam [por Frederico Ileck]

Outro dia sonhei algo muito estranho. Era surreal. Eu havia morrido, entretanto estava vivo. Haviam me transformado em uma máquina. Não tô de brincadeira. Vou resumir essa viagem: virei um robô. Um replicante. Era só o meu cérebro o ser vivo o resto eram apenas fio, chips, placas de circuito e metal. Estava em uma situação no qual tentava explicar algo aos meus usuários, os humanos, e eles não me ouviam mais. Tavam nem aí. Eu era uma espécie de eletrodoméstico da casa. Uma espécie de Alexia. " Fred, como esta o tráfego hoje? O senhor precisa buscar o Luca e o Enzo ", pedia a ocupadissima dona de casa com o marido sentado no sofá fazendo absolutamente nada. Acordei do nada com o travesseiro molhado! É, esses últimos dias está muito quente e meu quarto está um forno. As vezes tenho esses sonhos delirantes por causa desse calorão europeu esquisito. Cara, mas acordei triste pensando no futuro! Daí não consegui dormir de novo. Desde desse sonho acor...

O Dia em que Ozzy Invadiu um Reduto New Wave Caipirado [por Frederico Ileck]

Em 1992, eu não usava preto. Aliás, meu guarda-roupa era um mosaico de camisas polo e tênis estranhos da Adidas e Le coq Sportif (os únicos que tinham o meu tamanho do meu pé. Não era nenhum luxo). Estudava em uma Escola Técnica de São José do Rio Preto, acreditava no futuro da engenharia de telecomunicações e elétrica e ouvia com devoção as bandas de new wave, power pop, bandas psicodélicas e umas ou outras extravagâncias progressivas. Toda hora era atacado por uma dupla sertaneja ou modas de viola. De todos os lados possíveis e imaginários. Os ignorava e me sentia feliz - até que apareceu Leonardo Pozzio . Leonardo era o estereótipo do metaleiro interiorano: jeans sujo, camiseta preta de bandas, mochila surradas, tênis all star falsificados e um desprezo educado por tudo que não envolvesse riffs de guitarras marcados e guitarras distorcidas. Apesar das diferenças, nos dávamos muito bem. Ele respeitava meu amor pelo The Cult, e eu fingia não ouvir quando ele d...

A sociedade da dopamina [por Frederico Ileck]

No canto de um café no centro de Aachen, um grupo de amigos se reúne. Mas não há conversa. Um rola o feed, outro filma a própria comida. O terceiro fala algo com os olhos grudados na tela. Ninguém ouve e logo deixa pra lá. Ele e seus amigos já foram sequestrados por retângulos luminosos. Há um silêncio que não é silêncio — é ausência de presença. Um vazio recheado de luz azul. Estranho isso? Pois é, eu vi e não acreditei! Parecia coisa de romance despótico. Daí... A profecia!!! Não quero brincar de Nostradamus, entretanto George Orwell previu um futuro de censura, medo e repressão: o Grande Irmão observando cada passo, queimando livros, torturando mentes. Mas errou em um detalhe crucial — o método. Foi Aldous Huxley , esse sim acertou em cheio. Em seu Admirável Mundo Novo , compreendeu o que realmente nos destruiria. Não pelos sofrimentos e as angústias de ser censurado ou controle pela dor, mas pela dopamina. Não o terror, mas o tédio. Não o chicote, mas o t...

As Vozes da Loucura e a Atualização do Sofrimento Psíquico na Era Moderna [por Frederico Ileck]

Em 1964 , o psicólogo Bert Kaplan organizou uma obra que permanece singular na história da psiquiatria e da literatura: The Inner World of Mental Illness . Ao contrário das abordagens clínicas tradicionais que observam de fora o sofrimento psíquico, Kaplan fez o oposto. Deu voz direta aos pacientes, reunindo cartas, diários, confissões e memórias de pessoas que enfrentaram crises mentais profundas. A obra não é um estudo sobre a loucura, é uma imersão nela. " I am crazy wild this minute ." Com essa frase devastadora, um dos narradores resume a intensidade de um estado mental em ruptura. Não há distanciamento, apenas a urgência da existência desfeita. Outros trechos revelam paranoias, como a convicção de que está sendo julgado por tentar suicídio, ou a experiência de confusão e conflito entre o eu que reconhece a doença e o que a nega. A dualidade interna torna-se um campo de batalha psíquico. Essa proposta narrativa — escutar e se...