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Posts uit april, 2025 tonen

Os Reis do Nada [por Fred Ilek]

Após uma reunião cansativa, entro na empresa no qual eu trabalho e me dou de cara com um colega que sempre tem reações estranhissimas de quando é confrontado. Ele para, fica sem falar um palavra para o grupo e da a impressão de que está incomodado com algo no qual não quer falar. Ele acha que sabe tudo, porém em si é um grande de um pateta. De imediato comento com um dos meus colegas sobre essa reação dele. "Cara, isso é irritante. Agora você entende o porquê eu não gosto desse cara", comentei. "Ele é assim porque é um Pilho da Futa. Ele é muito inseguro! Nunca sabe o que esta fazendo", respondeu de forma direta. Qual dos dois seria o mais sábio? Ou até mesmo qual dos três, pois me incluo nessa bagunça! Teria algum de nós algum excesso de autoconfiança? Os grandes sábios da humanidade sempre nos alertaram contra os perigos do excesso de autoconfiança. Sócrates já dizia a frase óbvia de que "só sei que nada sei", mas experime...

Pierre Verger e Marcel Gautherot: Imagens de um Brasil Invisível aos brasileiros [por Frederico Ileck]

Por décadas, o Brasil foi visto e interpretado por olhos estrangeiros, fascinados por sua complexidade, sua miscelânea cultural e seus mistérios religiosos. Pierre Verger e Marcel Gautherot, dois franceses, desembarcaram aqui em meados do século XX e deixaram um legado visual e intelectual inestimável. Se um (Verger) abandonou o conforto do ocidente para se tornar iniciado no candomblé, o outro (Gautherot) se tornou o grande narrador visual do Brasil moderno. A interseção de suas trajetórias revela não apenas um país em transformação, mas também diferentes formas de olhar para ele. Pierre Verger: O Nômade da Imagem e da Palavra Pierre Fatumbi Verger (1902–1996) é um caso raro: um viajante incansável que se fez antropólogo, um fotógrafo que virou sacerdote. Nascido em Paris, iniciou sua carreira como fotógrafo na década de 1930 e, ao longo da vida, percorreu cerca de 50 países. Mas foi na Bahia que encontrou sua casa. Suas principais viagens incluíram a Polin...

Dezesseis Anos na Caverna Neerlandesa [por Frederico Ileck]

Hoje faz exatamente dezesseis anos que desembarquei na Holanda. Fiz essa aventura de navio. Sim, ha 16 anos saia do porto de Santos e descia em Kiel, na Alemanha, para nunca mais voltar a minha terra natal.  Caros leitores, dezesseis voltas completas ao redor do sol numa terra que insiste em girar em outro eixo — o da frieza, da formalidade e de uma estranha gentileza que nunca chega a ser afeto. Aqui, no sul do país, onde os dias nublados parecem mais longos e as pessoas, mais curtas, fui moldado a golpes de silêncio e resistência.   Entre os anos de 2010 ate 2014 trabalhei como fotojornalista para o IBA de Heerlen — um projeto importado da Alemanha, cujo nome completo, Internationale Bauausstellung , remete a uma exposição internacional de construção e urbanismo. A ideia era nobre: revitalizar áreas esquecidas, dar nova vida a cidades com passados industriais e futuros incertos. Mas, na prática, o IBA aqui nunca saiu do papel com a força que prometia. Falta...

Nada pior que o silêncio [por Fred Ilek]

  Ou O Silêncio Ensurdecedor Dizem que o silêncio é de ouro. E como isso é valiozo meus caros. Imaginem se isso estivesse a venda? Já teriam criado um mercado de especulação para vendê-lo a preços exorbitantes. O silêncio, na verdade, é um tirano disfarçado de virtude, um ditador que tortura com a ausência. Se fosse apenas um vazio, vá lá – o problema é que ele é cheio de significados. O silêncio de um amigo que não responde. O silêncio de um chefe que “vai pensar no seu pedido de aumento”. O silêncio de alguém que te olha com aquela cara de “não vou nem me dar ao trabalho de responder essa tolice”. Que asco, o silêncio! Ele pode significar tudo e nada ao mesmo tempo – e, pior, obriga a vítima a preencher as lacunas com os próprios medos. Voltaire, que era um homem de palavras (milhares, aliás), provavelmente diria que o silêncio é a pior forma de despotismo. Um rei cruel ao menos grita suas ordens; já isso bem colocado pode transformar um otimista em um ...

A Uberização do Trabalho e a Ilusão da Autonomia [por Fred Ilek]

Na publicidade, a Uber vende a ideia de liberdade. Trabalhe quando quiser, do jeito que quiser, sem patrões ou até mesmo sem amarras. Sem bater cartão ou ate mesmo dar satisfação para o chefe. Como ele se chama? Algoritmo! Esse pequeno grande revolucionario é  uma revolução na mobilidade e no mercado de trabalho. Mas quem olha bem de perto ouve e vê outra história: jornadas extenuantes, rendimentos voláteis, riscos elevados e uma ausência completa de garantias. A promessa de autonomia se dissolve na realidade dos algoritmos que controlam o ritmo, os ganhos e, muitas vezes, a dignidade dos motoristas. Tive uma boa experiência nesse assunto. Era o ano de 2010 e já morava na Holanda há dois anos. Resolvi entrar de cabeça no trabalho de bike-messenger no País. Comecei como autônomo e depois proprietário da empresa. Sofri dois acidente. Um o motorista teve culpa e pagou todos os prejuízos. O segundo cai sozinho e machuquei a mão esquerda. Na adrenalina não parei ...

O Boxe Espiritual [por Fred Ilek]

Eu era frequentador da sinagoga Beit Jacob ( como já comentei nesse artigo ), em Santos, há alguns meses. Comecei a falar de forma aberta sobre algumas lições que tinha às quartas-feiras com o rabino Tabacinik. As aulas dele me faziam refletir. Acalmar? De jeito nenhum! Nos sábados ia ao local e tinha "shabbat's" em que me sentia bem e outros não. Normal. Por isso tentei, na época, algo mais radical: o Muay Thai! E nele encontrei algo que não esperava. O suor escorria pelo rosto e se misturava ao cheiro forte de lona e couro gasto. No Atlético Santista , a rotina era simples: luvas, caneleiras, saco de pancadas e um pacto silencioso entre os lutadores. Nenhum golpe era pessoal, toda violência era método. O boxe tailandês me mostrava o ritmo, precisão e resistência, mas foi entre socos e esquivas que aprendi algo ainda mais inesperado: o silêncio e a disciplina de quem reza cinco vezes ao dia . Minha inspiração para lutar, no entanto, vi...

O Espelho Quebrado [por freUd Ilek]

O ser humano! Eita nóis, essa criatura que, desde os primórdios, se olha no espelho e se pergunta: “Quem sou eu?”. E, ao invés de encontrar uma resposta simples, como “sou um ser pensante” ou “sou um amontoado de um monte de coisa junto e misturada”, prefere mergulhar em labirintos psicológicos, onde o ego se infla e desinfla como um balão em dia de ventania. Freud, o pai da psicanálise (e, por tabela, de muitas crises existenciais), já nos alertava: o narcisismo e a depressão são dois lados da mesma moeda, uma moeda que, aliás, ninguém quer carregar no bolso. Vamos começar pelo narcisismo, essa arte de se amar até que doa. Freud, em sua genialidade, nos apresentou o conceito de “narcisismo primário”, aquele momento em que o bebê, recém-chegado ao mundo, acredita que tudo gira em torno de seu umbigo. É a fase do “eu sou o centro do universo”, que, se não for bem resolvida, pode se transformar em um “eu sou o centro do universo, mas ninguém parece notar”. E é aí ...